São Paulo – O grupo Alsaeed Trading Company, do Iêmen, deve começar a importar leite evaporado da Itambé, uma das maiores indústrias de laticínios do Brasil. Representantes do grupo estão em São Paulo participando das rodadas de negócios da feira da Associação Paulista de Supermercados (Apas), que começou ontem (18), no Expo Center Norte. Os encontros são organizados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex).
“A empresa já vinha se comunicando com a Itambé desde a Sial (feira de alimentos), em Paris, no ano passado. Agora estamos quase fechando negócio com eles”, afirmou o gerente-geral do grupo, Walid Hizam Dhafer, que pretende encomendar 10 contêineres de leite evaporado. “A ideia é importar cerca de 20 contêineres por mês”, acrescentou.
O grupo já comprava açúcar e milho do Brasil e tem interesse de ampliar as importações. No primeiro dia dos encontros de negócios, a Alsaeed Trading conversou com mais de 10 empresas brasileiras. “Todas têm grande potencial e com certeza vamos fechar negócios”, disse Dhafer. Além da Itambé, ele ficou interessado numa empresa de frango e numa de comida enlatada. Para conhecer um pouco mais das empresas brasileiras, os representantes deverão visitar as fábricas de algumas delas na quinta e na sexta-feira. “Estamos pensando em até estender a nossa estadia no Brasil”, afirmou o gerente-geral.
Outro grupo que ficou interessado nos laticínios brasileiros foi o Al Maya Trading, dos Emirados Árabes. “Muitas empresas têm potencial e apresentam bons preços”, disse o chefe da divisão de importação e exportação. Segundo ele, como primeiro dia os encontros foram muito positivos e deve sair negócios após a feira.
Uma das empresas brasileiras que se reuniu com os grupos árabes foi a Brasfrigo Alimentos, fabricante de alimentos em conserva e molho de tomate. De acordo com a gerente de negócios internacionais, Ívini Granado, os encontros foram muito produtivos e os árabes mostraram bastante interesse nos produtos da empresa.
Outra empresa que participou das rodadas foi a Caiba, de castanhas do Pará. A companhia já exporta para Egito, Líbia, Líbano e Jordânia, mas não são vendas constantes. “O mercado árabe é o mais interessante para nós porque não exige tantos certificados quanto outros mercados e pagam antecipadamente”, disse o diretor administrativo da Caiba, José Jayme Belicha.
Segundo ele, a empresa tem capacidade de produzir de 500 a 1,5 mil toneladas de castanha com ou sem casca por ano. Com mais de 60 anos no mercado, a Caiba exporta em média 80% de sua produção para 16 países. “Hoje a castanha do Pará tem um apelo funcional muito forte, além do fato de ser um produto da Amazônia”, disse Belicha, que vai mandar amostras para o grupo Ibrahim Odeh and Partner, da Jordânia.
Ontem, no primeiro dia da rodada mais de 30 empresas brasileiras se reuniram com os importadores árabes, entre elas estavam a Novo Mel, que ainda não exporta para o mercado árabe; a Alliance Commodities, de laticínios e derivados, que já exporta para todo Oriente Médio e África; a Dunga, de biscoitos e doces e a vinícola Aurora.

