Alexandre Rocha
São Paulo – As empresas brasileiras que participaram ontem (29) do seminário "Os caminhos da internacionalização de franquias nos países árabes", na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, vão poder colocar em prática o que foi mostrado no encontro a partir da semana que vem, quando chega a São Paulo um representante do grupo ETA Ascon, dos Emirados Árabes Unidos, interessado em levar franquias de companhias brasileiras ao seu país.
A informação foi dada ontem aos participantes do evento pelo secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby. "O mercado de franquias cresce 27% ao ano no Oriente Médio", disse ele, durante o painel "Como negociar com os países árabes". Amit Gardait, o representante do ETA Ascon, chega na segunda-feira (03) e fica até sexta no Brasil.
Alaby convidou os participantes do seminário a comparecer a uma reunião com o enviado da companhia árabe na própria segunda-feira, na Câmara Árabe. Na platéia estavam emissários de marcas como Patachou (moda feminina), Dilly (calçados), O Boticário (cosméticos), Iódice (moda), Rei do Mate (fast food), Democrata (calçados) e Ellus (moda jovem).
Além do encontro na Câmara, Gardait vai visitar a Patachou, a churrascaria Montana, o consórcio de fabricantes de móveis Action Export Furniture, a Hering, a Associação Brasileira de Franchising (ABF), a Francal, feira do setor de calçados que começa na terça-feira, além de outras empresas.
O grupo ETA Ascon, sediada em Dubai, atua em vários setores, como engenharia e construção, comércio exterior, diversos ramos da indústria, transportes e varejo. Eles são franqueados de marcas como a Giordano (moda), de Hong Kong, a rede indiana de cafés Barista e das italianas Lovable e Fila, respectivamente de roupas íntimas e esportivas.
O conglomerado, fundado em 1973 por meio de uma joint-venture entre o grupo Al Ghurair, dos Emirados, e a Amana Investments, de Hong Kong, faturou no ano passado mais de US$ 3 bilhões, somadas todas as suas operações. Ele tem escritórios em 21 países da Ásia, Oriente Médio e África e gera 40 mil empregos diretos e indiretos, segundo informações de seu site na internet.
Alaby falou também sobre a economia em geral dos países árabes. Juntos, eles exportaram em 2005 o equivalente a US$ 531 bilhões e importaram US$ 292,5 bilhões. "Eles têm um superávit comercial grande e reservas internacionais que garantem que vão continuar a investir em infra-estrutura e qualidade de vida", disse.
Planejamento
No seminário, os advogados Natan Baril e Andréa Oricchio, especializados em internacionalização de empresas e propriedade intelectual, falaram sobre os cuidados que as empresas têm que tomar na hora de franquear parceiros no exterior, como detalhar bem o que se quer do negócio em cartas de intenção, fazer o registro de suas marcas e patentes no mercado pretendido, realizar um planejamento tributário, ou seja, formatar bem a parceria do ponto de vista jurídico.
Eles também orientaram as companhias a buscar o sistema de comercialização mais adequado ao seu negócio e ao mercado pretendido, que pode ser desde um mero acordo de distribuição até uma franquia.
O diretor-executivo da ABF, Ricardo Camargo, ressaltou, no entanto, que com uma franquia a empresa faz mais do que apenas vender um produto, exporta uma marca. "Você agrega valor. Com a marca, consegue vender por um preço diferenciado", disse. "A base da franquia é uma parceria, enquanto que a base da distribuição é a compra e venda pura e simples", acrescentou.
Já o diretor de franquias da grife de calçados Arezzo, Mario Goldberg, ratificou a orientação dos advogados baseado em sua própria experiência. "O patrimônio mais valioso da empresa é a sua marca", afirmou. A Arezzo trabalha com franquias desde 1990 e hoje tem 200 lojas no Brasil, quatro na Arábia Saudita, quatro na Venezuela e, a partir de 2007, terá duas em Portugal.

