Isaura Daniel
São Paulo – O grupo egípcio El Sewedy Cables, fabricante de materiais elétricos, identificou pelo menos quatro possíveis sócios para a sua entrada no Brasil. Dois executivos da companhia, que desembarcaram no país no final do mês de julho para buscar parceiros comerciais e conhecer melhor o mercado local, voltaram ontem (09) ao Egito levando o nome e informações de empresas brasileiras interessadas em trabalhar com o El Sewedy.
A companhia egípcia pretende fabricar seus produtos no Brasil. Uma das possibilidades é construir uma fábrica, outra é comprar uma indústria já operante, ou então encontrar uma empresa da área disposta a produzir as mercadorias do El Sewedy Cables. De acordo com o diretor de novos negócios do grupo, Francisco Gonzales Molina, durante a visita ao Brasil foram identificados possíveis parceiros para qualquer uma das possibilidades.
A decisão final, porém, sobre o tipo de negócio que a empresa terá no Brasil e quem serão seus parceiros será tomada depois que Molina e o gerente de novos negócios da empresa, Karim Nazih, levarem as informações que recolheram no Brasil aos principais dirigentes da companhia. Os dois visitaram 35 empresas, bancos e associações setoriais em duas semanas nos estados de São Paulo, Santa Catarina, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Entre as empresas visitadas estiveram as distribuidoras de material elétrico Nortel e Maxel e as fabricantes de cabos Poliron e Reiplas. Eles também estiveram com potenciais clientes como Petrobras, Areva, Weg e Schneider, além do banco ABC e a agência de investimentos Brasilinvest. O El Sewedy Cables está disposto a investir US$ 50 milhões no seu projeto no Brasil. De acordo com Molina, a meta é instalar um escritório no país em seis meses e começar a produzir em um ano e meio ou dois anos.
"Tínhamos uma idéia do potencial do Brasil. Agora, depois das visitas a associações e indústrias, nos certificamos do potencial que tem o mercado brasileiro e estamos mais certos dos nossos projetos", afirmou Nazih. Segundo os executivos, o El Sewedy deve enviar representantes para mais uma visita ao Brasil, em novembro, para a continuidade da discussão dos negócios. Nazih afirma que a empresa egípcia é bastante seletiva na escolha dos seus parceiros. "Ter uma boa reputação no mercado é prioridade", disse. O projeto no Brasil prevê uma participação de 70% do grupo egípcio e 30% da parte brasileira.
De acordo com Molina, o El Sewedy deve entrar em um segmento onde as empresas estrangeiras atuam no Brasil, que é na fabricação de equipamentos variados. As indústrias brasileiras do setor, segundo eles, normalmente são muito especializadas em determinado produto. O grupo egípcio fabrica uma gama variada de materiais elétricos, principalmente cabos elétricos e para telecomunicações. Segundo os executivos da empresa, uma consultoria está estudando os produtos que deverão ser fabricados no Brasil. Eles acreditam que há possibilidade para cabos de tensão e cabos especiais, como os de telecomunicações.
De acordo com Molina, antes de enviar representantes ao Brasil, o El Sewedy Cables passou um ano estudando o mercado local. A decisão de fabricar no país surgiu principalmente em função das dificuldades em exportar, já que os produtos fabricados pela companhia no Egito pagam taxas entre 18% e 30% para entrar no Brasil, e, além do tempo necessário para o transporte da mercadoria ser grande, também o custo do envio é alto. "A primeira idéia era exportar", afirmou Molina. Segundo ele, a companhia continua estudando também a possibilidade de exportar alguns produtos, mesmo com o projeto no Brasil.
O El Sewedy Cables é um grupo empresarial de grande porte e está em rápida expansão. No ano passado, o seu faturamento ficou em US$ 820 milhões. Neste ano, a previsão é de que chegue a US$ 1,2 bilhão. O grupo destina 70% da sua produção ao exterior, a países árabes e africanos.

