São Paulo – O grupo Egyptian Traders Co., que trabalha com importação de commodities, tem interesse em abrir uma trading para produtos acabados, principalmente alimentos. O trader do grupo, Marwan El Fouly, participou ontem (23), em São Paulo, dos encontros de negócios da Associação Brasileira de Supermercados (Abras) e se interessou por produtos diferentes. “No mercado egípcio precisamos de novidades”, afirmou.
Uma das empresas que chamou a atenção de Fouly foi a Vapza, fabricante de alimentos processados embalados a vácuo, com sede no Paraná. “Achei os produtos muito interessantes”, disse o trader, que adorou a embalagem transparente, os legumes descascados e picados prontos para o cozimento. Segundo informações da empresa, o processo realizado pela Vapza permite cozinhar os alimentos dentro da própria embalagem, evitando o uso de conservantes e outros produtos químicos.
Outro produto que interessou o trader foi o café solúvel. Entre as empresas de café que falaram com Fouly estavam Café Bom Dia e Sara Lee Cafés, detentora das marcas Pilão, Café do Ponto, Caboclo e Seleto. “O Brasil tem produtos de muita qualidade, mas é preciso investir mais no mercado externo”, disse Fouly, que desconhecia a variedade dos produtos brasileiros.
Segundo ele, além das fabricantes de alimentos, outras empresas brasileiras apresentaram itens interessantes. “Gostei muito dos climatizadores evaporativos. No Egito temos um clima muito quente e seco”, disse ele, que se referiu aos equipamentos da Joape, fabricante de diversos tipos de climatizadores de ar. De acordo com o gerente de comércio exterior da empresa, Lucas Pohlmann, a conversa com o egípcio foi muito produtiva. “Foi o melhor feedback que tive nas rodadas”, afirmou.
A Joape, com sede no Rio Grande do Sul, já exporta para mais de 20 países e fez uma exportação para o Egito no ano passado. “Vemos um potencial muito grande no mercado árabe”, disse Pohlmann, que ficou de mandar por e-mail uma tabela de preços para o trader.
O grupo egípcio tem seis empresas, sendo uma fabricante de ração animal. Os principais produtos importados pelo grupo são trigo, soja, açúcar, café e milho. O trigo é importado, principalmente, da Rússia e Estados Unidos; o milho, do Brasil e Estados Unidos; a soja, dos Estados Unidos e Argentina; açúcar, da Índia e Brasil; o café, Indonésia, Vietnã e Índia. “Temos muito interesse em comprar mais commodities do Brasil, mas é difícil achar fornecedores”, disse Fouly.
Além de importação, o grupo também exporta arroz egípcio para o mercado árabe e trigo para Síria e Líbia. A empresa movimentou o equivalente a US$ 230 milhões no ano passado, com um faturamento de cerca de US$ 90 milhões. Segundo o trader, os números devem cair este ano devido à crise mundial.
De acordo com o gerente internacional da Abras, Cláudio Macedo, essa foi a primeira vez que importadores árabes foram convidados para o evento. “A idéia era ter trazido um grupo de 10 compradores, mas não foi possível”, disse ele, que acredita que para o próximo ano a entidade, em pareceria com a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, pode conseguir trazer um grupo maior.
A terceira edição dos encontros de negócios tem demonstrado resultados positivos. Em 2007 as rodadas foram compostas por 12 compradores internacionais, em 2008 por 18 e este ano por 24. No primeiro ano, a expectativa de negócios era de US$ 40 milhões em 12 meses e, para esta edição, a expectativa é dobrar o valor. Os encontros continuam até hoje no WTC Sheraton.

