Marina Sarruf, enviada especial
Dubai – O grupo saudita Fawaz Alhokair, que atua no setor de construção civil, petróleo e gás e varejo, quer formar uma joint-venture com a empresa brasileira Milano, fabricante de torres de transmissão de energia. "O grupo quer formar parcerias para importar material para a construção de uma linha de transmissão de mil quilômetros na Arábia Saudita", afirmou o presidente da Milano, Guido José Búrigo, que se encontrou ontem (30) com o diretor de megaprojetos da companhia saudita, Abdulrahman Al Angari, em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
O contato entre as empresas se deu através do empresário saudita Wail Hababi, que mora em São Paulo, e leu uma matéria na ANBA sobre o interesse da Milano em formar parcerias no mercado árabe. "Angari veio para Dubai só para esse encontro", disse Búrigo, que é um dos empresários que participam da missão ao Golfo Arábico organizada pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) e pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Se a parceria se concretizar, a Milano deverá exportar cerca de 10 mil toneladas de estruturas metálicas para o grupo saudita. Para a execução da obra, Búrigo ficou de convidar uma empresa brasileira de engenharia para integrar a joint-venture. "Podem sair grandes negócios dessa parceria. Além de financiar a obra, o grupo saudita vai fornecer toda a logística necessária", disse.
De acordo com Búrigo, o diretor do grupo tem pressa para fechar o contrato. "Fiquei de passar todas as informações até o dia 20 de novembro", afirmou. Com capacidade de produção de 18 mil toneladas de estruturas metálicas por ano, a Milano teria um prazo de 18 a 24 meses para entregar todo o material. Atualmente, cerca de 30% da produção da companhia é exportada, principalmente para os Estados Unidos, Canadá e Argentina.
A Fawaz Alhokair pretende começar a construção no segundo semestre de 2007. Com um faturamento anual de US$ 4 bilhões, o grupo saudita também tem interesse em construir novas linhas de transmissão em outros países árabes.
Futuro
Além da Milano, Búrigo é sócio da Mecril, fabricante de ferragens galvanizadas para redes de distribuição de alta e baixa tensão, telefonia e TV a cabo. "No futuro podemos formar uma outra parceria para a distribuição de energia no país árabe", disse.
A empresa tem capacidade para produzir também 1,5 mil toneladas de ferragens por mês e já exporta há mais de 20 anos para América do Sul, Central, Estados Unidos e Canadá. A Mecril está localizada em Forquilhinha. As duas empresas juntas empregam 700 funcionários e prevêem um faturamento para este ano de US$ 50 milhões.

