São Paulo – Os membros brasileiros do Conselho Empresarial Brasil-Tunísia se reuniram nesta terça-feira (02) na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, para discutir ações para este ano. Uma das propostas apresentadas e aprovadas pelos participantes é a criação de um grupo de trabalho que vai atuar para remover eventuais entraves ao comércio bilateral.
“É preciso abordar os obstáculos”, disse o embaixador tunisiano em Brasília, Sabri Bachtobji, que acompanhou a reunião. “As instituições públicas têm que saber quais são os obstáculos que os operadores econômicos estão encontrando para o desenvolvimento dos negócios”, acrescentou.
Alguns destes gargalos foram citados durante o encontro. O diretor da área de aves da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, por exemplo, destacou que a Tunísia exige certificados que não são requisitados por nenhum outro país, o que acaba inviabilizando as exportações de frango brasileiro à nação árabe.
O presidente do Intertrade Group, do ramo de fertilizantes, Heinz Huyer, ressaltou que o Brasil tem tido dificuldades em importar fosfato da Tunísia nos últimos anos, em função de problemas de oferta e de logística, sendo que no passado foi um grande comprador.
Foram citados também acordos que estão sendo negociados no campo diplomático e que, quando aprovados, poderão dar impulso ao comércio bilateral e aos investimentos recíprocos. Um deles é um acordo quadro que permite o início de negociações de um tratado de livre comércio entre a Tunísia e o Mercosul.
Segundo o embaixador, o texto já foi ratificado pelo Parlamento Tunisiano, mas os países do bloco sul-americano ainda não fizeram o mesmo. Para ele, a aprovação pelo Brasil pode acelerar o processo, dado o peso econômico e político do País no grupo.
Outro acordo em negociação – porém bilateral – é na área de facilitação e promoção de investimentos.
O vice-presidente de Comércio Exterior da Câmara Árabe e anfitrião da reunião, Rubens Hannun, disse que o conselho tem objetivos de médio e longo prazos, e o grupo de trabalho é um dos mecanismos que pode auxiliar na missão de ampliar os fluxos de comércio e investimentos.
Ao identificar as demandas do setor privado e propor soluções, o conselho pode atuar junto aos governos para a remoção de barreiras. “Assim as coisas andam de maneira mais simples e rápida”, declarou Hannun.
Visita
Alguns acordos bilaterais serão assinados durante visita do chanceler brasileiro, Mauro Vieira, à Tunísia, programada para 11 de março. Segundo Bachtobji, são tratados de cooperação nas áreas de turismo, programas sociais e plantio de eucaliptos.
O embaixador ressaltou que o turismo, por exemplo, é uma das atividades mais importantes para a economia tunisiana, mas o número de brasileiros que visitam a nação árabe e vice-versa não tem aumentado como poderia. Ele acrescentou que o acordo na área incentiva os operadores do ramo a desenvolver o fluxo de turistas.
Além da criação do grupo de trabalho e da viagem do ministro, os conselheiros discutiram também a realização do encontro anual com suas contrapartes tunisianas. Foi bem recebida a proposta de organizar o evento paralelamente ao próximo Fórum de Investimentos na Tunísia, que será realizado em Túnis em junho ou em setembro.
Walker Lahmann, diretor-executivo da Eurofarma, participou da edição de 2015 do fórum e fez elogios ao evento. A companhia farmacêutica quer abrir uma unidade na África e a Tunísia é vista como boa opção. De acordo com ele, o mercado tunisiano, embora menor, é semelhante ao do Brasil e tem os mesmo níveis de exigência regulatória, e o grupo de trabalho criado pelo conselho poderá ajudar a aparar eventuais arestas.
Já a gerente de Relações Internacionais da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), Fernanda Garavello Gonçalves, anunciou que a entidade negocia a realização de um programa de promoção comercial com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e que muitas empresas do ramo têm interesse na região.
“Os países do Norte da África estão em alta no interesse das empresas”, declarou Gonçalves. Os empresários, segundo ela, apostam principalmente na demanda do setor de energia.
O Conselho Brasil-Tunísia foi criado em 2002, mas ficou vários anos sem se reunir, e foi reativado no ano passado, com a indicação de novos membros. Hannun, que é o presidente do órgão pelo lado brasileiro, gostou da dinâmica da reunião e destacou que o grupo mostrou coesão em relação às ações a serem realizadas.
Participaram do encontro também o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Elias Haddad, e o embaixador Ramez Goussous, conselheiro sênior de Relações Institucionais e Internacionais da Câmara Árabe.


