Dubai – A Gulfood, principal feira do setor alimentício do Oriente Médio, começou neste domingo (08) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. É a vigésima e maior edição da história da mostra. O evento conta com mais de 4,8 mil expositores internacionais de 120 países e pode receber mais de 80 mil visitantes de 150 nações em seus cinco dias de duração.
Para Mark Napier, diretor da mostra, mais do que uma feira, a Gulfood se tornou uma importante plataforma comercial, servindo de base para o cálculo dos preços dos alimentos no mercado global.
“Dada a época do ano [em que o evento ocorre], em fevereiro, os preços globais são geralmente determinados aqui nesse evento. Esta é, provavelmente, a primeira oportunidade que os exportadores têm no calendário de poder calcular os preços futuros dos produtos”, afirmou Napier, em entrevista à ANBA.
De acordo com o executivo, apesar de os setores de alimentos e de hospitalidade sempre terem sido fortes nos Emirados, eventos como a Expo 2020, que será realizada em Dubai, fazem com que as perspectivas se tornam ainda mais promissoras.
Apesar da queda nos preços das commodities, incluindo o petróleo, Napier acredita que as empresas deverão encontrar novos caminhos para manter seus negócios.
“A demanda por alimentos está crescendo constantemente. Há alguns países exportando agora que não o faziam no ano passado. Há alguns países que por algumas questões não importam de determinadas origens. Isso significa que os exportadores têm que encontrar novos mercados e novos caminhos para o mercado”, avalia.
Em sua opinião, a Gulfood pode ser um dos principais caminhos para estes novos negócios. “Aqui é onde a comunidade internacional se conecta, onde se podem resolver questões sobre demanda de fornecimento da melhor forma, onde você tem fornecedores de mais de 120 países. Seja o que for que você queira, você vai encontrar alguém para oferecer pelo melhor preço, com o melhor tempo de entrega e a melhor garantia de qualidade”, destacou.
Brasil
Napier falou também sobre a participação do Brasil no evento. Para ele, os alimentos nacionais estão associados a produtos de qualidade na visão dos importadores. “A qualidade dos produtos brasileiros é marcante. Acho que é isso que os compradores que visitam a feira veem”, afirmou o diretor da Gulfood, que destacou a importância da qualidade da certificação halal realizada no País, o que garante que os alimentos foram produzidos de acordo com preceitos religiosos muçulmanos.
Napier lembrou que o Brasil é muito forte em suas exportações de carne bovina e de frango para os países árabes. Para ele, existe uma tendência de empresas do setor se instalarem na região. O executivo não mencionou nomes, mas vale recordar que a Brasil Foods (BRF), dona das marcas Sadia e Perdigão, inaugurou sua primeira fábrica de alimentos processados no Oriente Médio no ano passado, em Abu Dhabi, nos Emirados. Segundo o diretor da mostra, essa é uma boa estratégia para os negócios brasileiros na região.
“Você vai ver muitas empresas brasileiras estabelecendo plantas de processamento de alimentos na região. Eles criam [os animais] lá [no Brasil] e processam aqui. Acho que vamos ver mais destes acordos recíprocos de negócios, onde vamos tentar reduzir os custos totais da produção de alimentos. Então, se você me perguntar se o Brasil tem a melhor estratégia de crescimento no momento… para mim, crescendo desse jeito, com resultados fantásticos dos exportadores, eu tenho que dizer que sim”, completou.
Abertura
A abertura da 20 edição da Gulfood teve a presença do xeque Hamdan Bin Rashid Al Maktoum, vice-governante de Dubai e ministro das Finanças e da Indústria dos Emirados. Ele cortou a fita de abertura da mostra e andou pela feira, passando em frente aos principais pavilhões, incluindo o do Brasil.
Quando começou, em 1987, a Gulfood era um evento bienal. Sua primeira edição contou com 65 empresas de 13 países e teve pouco mais de 1,6 mil visitantes.


