São Paulo – O embaixador da Líbia em Brasília, Salem Omar Ezubedi, afirmou ontem (19) à ANBA que o Brasil tem uma relação diferenciada com a Líbia por vários motivos. Entre eles, a relação fraternal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o líder líbio, Muammar Kadhafi, a visita histórica de Lula ao país árabe em 2003, a posição do Brasil na América do Sul e a presença de grandes empresas brasileiras na Líbia.
“As relações brasileiras com a Líbia são antigas. Na época do presidente Fernando Henrique Cardoso já havia um intercâmbio comercial, mas com o governo Lula essas relações estão sendo mais palpáveis”, afirmou Ezubedi, que está em visita oficial a São Paulo. Segundo ele, ainda há muito espaço para as empresas brasileiras no mercado líbio. “A Líbia vive em desenvolvimento e progresso em diversas áreas, principalmente no setor de infra-estrutura”, acrescentou.
O embaixador citou algumas das companhias brasileiras que já estão atuando no país árabe, como Petrobrás, Odebrecht e Queiroz Galvão. No entanto, ele disse que empresas dos setores de carne, construção, equipamentos médico-hospitalares, maquinário agrícola e alimentos em geral também são bem vindas. “Estamos trabalhando, através da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, para ampliar essas relações, de trazer delegações de empresários líbios para cá e levar empresários brasileiros para lá”, disse.
Uma das idéias do governo líbio e da Câmara Árabe é organizar uma feira permanente de produtos brasileiros na Líbia. Outra idéia é a realização de uma semana brasileira no país árabe. “Essa Semana do Brasil na Líbia incluiria não só os produtos brasileiros, mas também a cultura e o esporte”, disse Ezubedi.
O embaixador lembrou ainda que Câmara Árabe participou este ano pela segunda vez da Feira Internacional de Trípoli, evento multissetorial que ocorre na capital do país árabe. “A primeira vez foi uma participação simbólica, mas esta segunda foi mais significativa, com a presença de várias empresas”, disse. “É muito importante que o Brasil continue participando dessa feira”, acrescentou.
Atualmente, o Brasil exporta para Líbia carne bovina, minério de ferro, açúcar, granito, fumo, café, tratores agrícolas, tubos de borracha, entre outros. De janeiro a maio, as vendas externas brasileiras ao país árabe somaram US$ 99,97 milhões, contra US$ 101,7 milhões no mesmo período do ano passado. Já as importações brasileiras da Líbia totalizaram US$ 586,34 milhões, contra US$ 450,62 na mesma comparação. Esse valor se refere aos únicos produtos líbios que o Brasil importa, que são petróleo e naftas para petroquímica.
Em São Paulo, o embaixador, que chegou quarta-feira, visitou o Instituto do Coração, o Banco ABC Brasil (que tem capital líbio), a Odebrecht, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), a Assembléia Legislativa e a sede da Câmara Árabe. Hoje, Ezubedi vai visitar ainda a União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica).

