São Paulo – O Brasil é um dos principais garantidores da segurança alimentar nos países islâmicos, mas precisa diversificar a pauta exportadora. Essas foram as principais avaliações feitas em dois painéis do 1ºFórum Halal Anuga Select Brazil, nesta terça-feira (7), durante a feira Anuga Select Brazil. A feira de alimentos e bebidas é realizada em São Paulo até a próxima quinta-feira (9) e conta com empresas no estande da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. O fórum é organizado pela International Halal Academy, parceira estratégica da certificadora de alimentos Fambras Halal.
No primeiro painel, “O mercado halal global: tendências e oportunidades”, o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, William Adib Dib Junior, compartilhou números do mercado islâmico e suas estimativas de crescimento para o próximo ano.
Dib citou dados do State of Islamic Economy Report que mostram que em 2023 o setor halal de alimentos e bebidas movimentou US$ 1,4 trilhão no mundo, volume que crescerá a US$ 1,9 trilhão até 2029. O Brasil, maior fornecedor mundial de proteína halal e um dos maiores fornecedores de alimentos halal em geral, vendeu aproximadamente US$ 24 bilhões em 2024 a este mercado. Halal é o produto fabricado de acordo com as normas do islamismo. Não pode, por exemplo, conter álcool nem carne ou derivados de suínos.

“O Brasil é o maior fornecedor de alimentos aos 57 países islâmicos. Se olharmos para a pauta de exportações, tem muito pouco valor agregado”, disse Dib. “Fica o espaço para a reflexão: devemos manter e continuar a ampliar o fornecimento de produtos básicos, mas ainda há uma grande demanda por industrializados”, disse. Ele citou como tendências de consumo do público muçulmano alimentos de preparo rápido, com certificado halal e orgânicos.
Ao seu lado no painel, o vice-presidente da Fambras Halal, Ali Hussein El Zoghbi, afirmou que o halal deverá, no decorrer dos próximos anos, crescer e até se confundir com produtos que não são feitos a partir dos preceitos religiosos. Ele explicou que muitas exigências que são feitas à indústria hoje já são atendidas pelos preceitos halal: sustentabilidade, respeito ao meio ambiente e ao bem-estar animal. “O halal é um selo possível e universal, e, talvez, no futuro nem se diga que ele vem de uma tradição religiosa”, afirmou.
No segundo painel do dia, intitulado “Alimentos e bebidas halal: os principais dados econômicos, tendências e bebidas”, a diretora de Relações Institucionais da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Fernanda Baltazar, apresentou o Projeto Halal do Brasil, que a instituição leva adiante em parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), para promover no exterior os produtos halal feitos no Brasil.
De acordo com Baltazar, o projeto reúne 150 empresas que exportam aos países muçulmanos, entre companhias pequenas e médias com produtos “de excelente qualidade”. “É preciso mostrar a elas que elas podem [exportar], que não é um mercado só para as grandes”, disse. Baltazar afirmou, também, que um dos eixos de trabalho desenvolvidos pela Câmara Árabe é a difusão da cultura, importante para ampliar o conhecimento sobre um país e combater estereótipos.
No mesmo painel, o vice-presidente Internacional do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Relações Empresariais Internacionais (Ibrei), Arthur Martinho, afirmou que o Brasil está “bem posicionado” como fornecedor de alimentos halal, porém precisa ampliar a diversidade da pauta exportadora e estar aberto às demandas do mercado islâmico.


