Lima – A Hassad Food, companhia do Catar que tem negócios em agricultura e pecuária, está aberta a oportunidades de investimento na América do Sul, segundo disse o presidente da empresa, Nasser Mohamed Al-Hajri, nesta segunda-feira (01) no Fórum Empresarial América do Sul-Países Árabes, que ocorre no Swissôtel, em Lima, no Peru. A empresa aplicou US$ 1 bilhão nos últimos anos em projetos do agronegócio ao redor do mundo e o executivo afirmou à ANBA que o Brasil é uma boa opção para investimentos.
Durante painel do Fórum Empresarial, no entanto, Hajri criticou barreiras que o Brasil tem, que dificultam o investimento estrangeiro, citando os impostos e as leis para compra de terras por estrangeiros. Mas não descartou investimentos na região. “Na América do Sul há oportunidades incríveis que podem atender nossas ânsias de investimento”, disse. “Importamos mais de 60% das nossas necessidades alimentares”, afirmou.
Hajri participou do debate sobre segurança alimentar, mas o tema não se restringiu apenas aos discursos deste painel e permeou a fala da maioria dos que se pronunciaram na primeira manhã do fórum de negócios. Foi consenso a complementaridade que há entre as duas regiões, uma produtora de petróleo e outra de alimentos. “os árabes são importadores de alimentos e a América do Sul é produtora de alimentos”, disse o presidente do Peru, Ollanta Humala Tasso, na abertura do encontro empresarial.
O ministro de Comércio Exterior do Peru, José Luis Silva Martinot, inclusive, apresentou a produção agrícola do Peru e suas oportunidades. “No Peru se pode semear e colher todo ano quase todos os produtos”, disse, sobre a agricultura da região. O gerente geral da Sociedade de Comércio Exterior do Peru (ComexPeru), Eduardo Ferreyros, lembrou, no entanto, que a América do Sul ainda participa pouco no total das importações do mundo árabe, que são ao redor de US$ 570 bilhões, segundo ele, das quais US$ 50 bilhões são alimentos.
O presidente da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs), Heitor José Müller, que também participou da discussão, falou da experiência do Brasil, que aumentou sua produção agrícola muito além do crescimento da área, com investimento em produtividade por meio da tecnologia. “Se tivermos investimentos em tecnologia, podemos alimentar o mundo porque temos água, sol e terra”, afirmou Müller.
Todos ressaltaram que para ter eficiência na produção agrícola é necessário também o investimento em infraestrutura, onde os árabes foram chamados para aplicar. “Investir em infraestrutura faz baixar o preço dos produtos”, disse Hajri. A infraestrutura, aliás, foi tema do primeiro painel do encontro de negócios, do qual participou o presidente da DP World, Sultan Ahmed Bin Sulayem. A operadora portuária de Dubai está investindo na construção de um terminal no Porto de Santos, por meio da Embraport, empresa na qual possui participação.
O projeto da Embraport deve ficar pronto no começo do ano que vem. Com isso, Sulayem afirmou para a ANBA, a DP World espera estar contribuindo para o desenvolvimento do Brasil. Ele não quis falar sobre novos planos de investimento na região, mas reforçou que estão abertos a oportunidades. Durante o painel sobre investimentos, Sulayem afirmou que apesar da crise econômica mundial, a companhia não deixou de investir. “Essa crise foi especulação de investidores e aprendemos muito”, disse ele. A empresa tem 60 terminais ao redor do mundo, inclusive em outros países da América do Sul, como a Argentina e o Peru. Sulayem contou como Dubai tirou proveito da sua localização estratégica para ter a melhor infraestrutura possível.
Empresários
Os debates foram vistos e ouvidos por uma plateia repleta de empresários e representantes de entidades de negócios, entre elas a Câmara de Comércio Árabe Brasileira, com a presença do seu presidente, Salim Schahin, do diretor geral Michel Alaby, o vice-presidente administrativo, Marcelo Sallum, e o assessor Alberto Pfeifer. Entre as empresas brasileiras participantes do fórum estava a Eletrobras, da área de energia. De acordo com o gerente Flavio Albuquerque Castelo Branco, a empresa tem projetos no Peru e está em processo de expansão internacional, aberta, inclusive, a conversar com os países árabes.
Do mundo árabe também vieram muitos empresários sedentos por oportunidades junto aos sul-americanos. O vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria do Catar, Mohammed Ahmed Al-Kuwari, afirmou que seu país está olhando para as oportunidades de investimentos no Peru, no Brasil e na região como um todo, em várias áreas, desde imóveis até alimentos. “Nós estamos prontos para isso”, afirmou.
O diretor da DeNovo Corporate Advisors, Medhdi Al Amine, dos Emirados Árabes Unidos, também está atrás de contatos de negócios. A consultoria ajuda empresas em vários tipos de negócios, inclusive na aquisição de companhias. Ela tem base nos Emirados, mas atende todo o mundo árabe. Segundo Amine, a empresa ainda não atuou em transações com a América do Sul, mas está disponível para isso.

