São Paulo – O empresário brasileiro Abdala Jamil Abdala herdou do pai, Jamil Abdala, imigrante sírio, o espírito de compartilhar e ajudar o próximo. E foi assim, que Abdala passou de fabricante a expositor, montador e presidente da Francal Feiras, uma das maiores empresas de promoção de eventos e negócios da América Latina. “Na minha família sempre ajudávamos uns aos outros e esse perfil ajudou demais a enfrentar os negócios do dia a dia”, afirmou o empresário.
Nascido na cidade de Franca, localizada a 400 quilômetros de São Paulo, e com uma grande comunidade árabe, Abdala conta que foi lá que o pai abriu sua primeira loja de tecidos e junto uma fábrica de macarrão. Antes disso, o pai de Abdala, como a maioria dos imigrantes árabes, mascateava pelas fazendas dos municípios de Itirapuã e Ribeirão Corrente, onde se estabeleceu e casou com Amélia Calixto Abdala, hoje, com 98 anos de idade.
Aos 18 anos de idade, Abdala deixou sua cidade e mudou-se para São Paulo, onde cursou Engenharia Industrial na Faculdade de Engenharia Industrial (FEI). Foi a partir daí que as portas começaram a se abrir. Antes mesmo de acabar os estudos, Abdala começou a trabalhar na área eletrônica de exportação da Ford, que na época importava peças para montagem de rádios, ignição eletrônica e piloto automático para exportar aos Estados Unidos. Em sete anos de empresa, o engenheiro chegou ao cargo de superintendência de Produção e de Qualidade. “Fui um dos primeiros brasileiros a ocupar os cargos que eram dos americanos. Na superintendência de Produção, fui o primeiro a substituir”, afirmou ele, que trabalhou na Ford de 1972 a 1979.
No início da década de 80, Abdala voltou para Franca, onde começou a administrar a Calçados Pestalozzi, fábrica cuja renda era revertida para a educação de crianças carentes. Foi na década de 90, como diretor da empresa, que Abdala foi convidado para fazer parte da diretoria da Francal, que na época, era uma entidade da prefeitura de Franca que promovia o setor de calçados da indústria local. Segundo Abdala, com a ineficiência de transporte e pouca infraestrutura hoteleira foi decidido realizar uma edição da feira em São Paulo. E desde então, a Francal foi privatizada e passou a ter um novo endereço e um novo presidente: Abdala Jamil Abdala.
A feira, que já está na 41ª edição, passou a ser referência nacional e internacional nesse setor de calçados, acessórios de moda, máquinas e componentes. Realizada uma vez por ano, a última edição do evento reuniu mil expositores e mais de 50 mil visitantes. O sucesso do evento fez com que a equipe da Francal começasse a captar outros eventos de outros setores, como brinquedos, papelaria, instrumentos musicais, livros, alimentos, arquitetura, entre outros. Nesse período, Abdala chegou também a presidência da Estrutural, empresa responsável pela montagem dos eventos. Porém, em 2000, voltou a assumir a presidência da Francal Feiras e está até hoje no cargo.
“Hoje fazemos feiras com a mesma mentalidade que tinha a Francal. De produzir para promover mercados e gerar negócios para visitantes e compradores. Fazemos o melhor possível para o mercado, não só para quem expõe, mas para contribuir com desenvolvimento do país, gerando empregos e negócios”, disse Abdala. “A gente tem essa herança de berço. Estou trabalhando para ajudar no aumento da produção de sapatos, gerar mais empregos e vender mais”, acrescentou.
De olho no mercado árabe, Abdala viajou para os Emirados Árabes, no final do ano passado para divulgar o Brasil. “Fui para Dubai para trazer importadores para nossas feiras e alavancar as possibilidades de negócios com os países árabes”, disse. Segundo ele, o setor de calçados é um dos que mais tem potencial para atrair esse mercado. “Não é uma commodity e todo mundo usa. Além disso, é um grande setor exportador”, acrescentou.
Outro setor citado por Abdala foi o de frutas, que também deve ser promovido melhor no mercado árabe. Inclusive, esta semana, a Francal Feiras em parceria com o Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf) lançou a Fruit & Log, feira do setor que será realizada em setembro. “Esse é o momento do empresariado brasileiro voltar às origens e começar a mascatear, mas não mascatear onde já vendemos, e sim para abrir novos mercados”, afirmou. “Mascatear não é só levar produto. É falar bem do país e promover o país”, acrescentou.
Com mais de 20 anos de experiência em promoção de feiras e muito otimismo, Abdala acredita que o futuro dos investimentos está no Brasil. “Temos um país fantástico”, disse ele, que contou que seu pai já achava isso, tanto que viajava para Síria e passava meses por lá, mas sempre voltava para o Brasil.
Segundo ele, existem muitos fatores positivos para se investir no Brasil. Terras férteis, grande extensão territorial, ótimo clima, uma costa maravilhosa e sem terremotos, furacões e outros fenômenos naturais. “O Brasil é a nova terra, é o novo mundo”, afirmou. E para continuar com esse otimismo e bom humor, Abdala não deixa de escutar música árabe, que segundo ele, traz boas lembranças da época em que morava com os pais.

