Marina Sarruf
marina.sarruf@anba.com.br
São Paulo – O Club Homs, tradicional instituição paulista fundada por imigrantes sírios, prestou ontem (25) à noite homenagem a cinco personalidades de destaque na coletividade árabe em São Paulo: o empresário Lourenço Chohfi, ex-presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira; o professor egípcio da Universidade de São Paulo (USP), Helmi Nasr, que também é vice-presidente de Relações Internacionais da Câmara Árabe; o engenheiro Raul Nahas; o deputado federal Ricardo Izar e o desembargador Rubens Carmo Elias.
No dia 25 de Março é comemorado o Dia da Comunidade Árabe em São Paulo. A data faz referência ao trabalho dos imigrantes na Rua 25 de Março, onde se instalaram os primeiros comerciantes de origem árabe que imigraram para o Brasil. Além disso, é a data da promulgação da primeira constituição brasileira, de 1824.
"Sendo hoje o aniversário da rua 25 de Março tenho o prazer de falar sobre ela", disse Chohfi, que trabalhou 45 anos na região e fez questão de contar a história da rua desde 1920 até os anos atuais. Segundo ele, todos os proprietários de armazéns e comerciantes de armarinhos da rua no período de 1920 a 1970 eram de origem síria e libanesa. "De 1970 em diante vieram os atacadistas de cama, mesa e banho, pois as mulheres começaram a trabalhar e não tinham mais tempo de costurar", contou.
Chohfi também falou da chegada dos coreanos na rua em 1980, dos chineses em 1990 e da invasão dos camelôs, que tiraram uma fatia de cerca de 20% do lucro dos comerciantes. "Hoje, a região é formada por diversas raças. É o maior centro comercial a céu aberto da América do Sul", disse. O empresário contou ainda que atualmente existem cerca de 3,5 mil comerciantes na 25 de Março e passam de 400 a 500 mil pessoas por dia nas ruas da região, chegando a um milhão nos Dia das Crianças e Natal, por exemplo.
Em seu discurso, o empresário lembrou do seu pai, o imigrante sírio Ragueb Chohfi, que chegou no Brasil em 1904 e com quem aprendeu sua grande filosofia de vida. "Respeitar o próximo sempre, desde um simples trabalhador braçal até os mais poderosos".
O professor Helmi Nasr agradeceu a todos pela homenagem e disse estar muito feliz. Nasr foi definido pelo presidente do Conselho Deliberativo do Club Homs, Rubens Anauate, como o disseminador da cultura árabe em São Paulo. "Ele escolheu disseminar a cultura no Cairo e em São Paulo. Foi o tradutor do Alcorão para o português", afirmou Anauate.
O desembargador Rubens Carmo Elias também lembrou em seu discurso dos pais imigrantes que chegaram em São Paulo e tiveram que mascatear muito para sustentar a família. O deputado federal Ricardo Izar lembrou dos mais de oito milhões de descendentes de sírios e libaneses espalhados no Brasil e da importância que eles tiveram na história do país. "O dia 25 de Março não representa só a constituição de 82, representa os filhos de sírios e libaneses que vieram para São Paulo", disse. "Não existe um município neste país que não tenha um descendente de sírio-libanês. Graças a vontade de vencer dos nossos antepassados, temos os melhores engenheiros, advogados, médicos e grandes nomes no campo político", afirmou Izar.
O engenheiro Raul Nahas, filho de Antonio Nahas, ex-presidente do Club Homs, também lembrou do pai em seu discurso, que imigrou para o Brasil em 1924, com apenas 9 anos, e ressaltou a importância da família para o sucesso profissional. "O verdadeiro segredo do sucesso está no reconhecimento de sua conduta e de sua integridade, é isso que eu quero que meus filhos e outros jovens aprendam", afirmou.
No final da solenidade, o arcebispo metropolitano da igreja católica ortodoxa antioquina no Brasil, Dom Damaskinos Mansur, fez uma oração a todos os homenageados e entregou para cada um deles um símbolo religioso.
Compareceram à cerimônia cerca de 400 convidados, entre eles estavam presentes, da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, o presidente Antonio Sarkis Jr, o vice-presidente de Marketing, Rubens Hannun, que também é cônsul honorário da Tunísia em São Paulo, o vice-presidente de Comércio Exterior, Salim Schahin, o presidente do conselho Fiscal, Júlio Elito, e os diretores Mustapha Abdouni, que também é cônsul honorário da Jordânia, e Wladimir Freua.

