Isaura Daniel
São Paulo – A The Hotel Show, feira do setor de hotelaria que terminou ontem (06) em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, deve render US$ 1,8 milhão em negócios para os expositores brasileiros no decorrer dos próximos doze meses. O número faz parte de um levantamento feito junto às empresas que participaram da mostra pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira, uma das organizadoras do espaço nacional. De acordo com o coordenador de operações da entidade, Rodrigo Solano, o estande do Brasil recebeu 742 visitantes nos três dias de evento.
A Sarasá, empresa que trabalha com restauração e produção de obras de arte e tem sede em São Bernardo do Campo, em São Paulo, deve fechar contratos com os árabes a partir da feira de Dubai. De acordo com o artista plástico, restaurador e proprietário da companhia, Luis Martin Sarasá, está praticamente acertada a confecção de uma cúpula de um hotel e spa no Marrocos. Luis deverá criar um desenho abstrato para vitral, material do qual a cúpula será feita. Também há grandes possibilidades de que ele faça um emblema para o hall de entrada de um hotel de Dubai. O material deve ser vitral, azulejo ou mosaico.
Luis afirma que fez entre 20 a 25 contatos promissores na The Hotel Show, apesar de ter recebido entre 150 a 200 pessoas no estande. Ele acredita que destes, três ou quatro vão render negócios. A Sarasá restaura obras do patrimônio cultural, artístico e histórico, como catedrais, teatros e monumentos. Também faz obras como esculturas, monumentos e painéis. Para clientes estrangeiros – a Sarasá tem obras vendidas para cerca de dez países – os principais trabalhos feitos são murais de azulejos. A The Hotel Show foi a primeira feira da empresa no exterior.
Pedras do Brasil
A SBC Pierres, que produz quartzito, um tipo de pedra decorativa, fechou negócios durante a Hotel Show, segundo a diretora comercial da empresa, Marina Paiva Mangia, que está em Dubai. Marina ainda não quer, porém, revelar volumes e destinos. A empresa é mineira e exporta cerca de 100 contêineres mês. A Rubinetto, fabricante de torneiras da cidade gaúcha de Caxias do Sul, também fez contatos promissores durante a The Hotel Show. A empresa fabrica torneira e misturadores (torneiras para água quente e fria) de alto padrão.
"Um dos árabes com quem falamos está fazendo uma vila residencial de alto padrão em Dubai que terá 29 mil apartamentos. Só para atender todo o projeto dele, teríamos que trabalhar três anos", diz o diretor comercial da empresa, Fernando Laybauer. O empresário árabe ficou interessado nos produtos da Rubinetto. Como a empresa é de pequeno porte, porém, poderia atender apenas uma parte do projeto. "Senti que há muito interesse pelos nossos produtos. Esse mercado promete", afirma Laybauer. A empresa já exporta para países da América, mas ainda não para o mundo árabe.
Café, lustre e espelho
A trading DWR também ficou bastante satisfeita com a participação na feira de Dubai. A empresa representou a Marcelo Fernandes, fabricante de produtos como vasos, cinzeiros e lustres em alumínio, e a Cia Orgânica, produtora de café orgânico. "Fizemos vários contatos, deixamos amostras, foi bastante proveitoso", afirmou a diretora e proprietária da DWR, Guadalupe Rengifo. A empresa trabalha com a colocação, no mercado internacional, de produtos de pequenas e médias companhias.
A Glasart, de São Paulo, lançou uma bandeja termoelétrica que fez sucesso na The Hotel Show. "Todo mundo gostou", afirma a sócia proprietária da empresa, Vânia Facchina. A bandeja alcança temperatura de 90 graus ligada na eletricidade. A empresa também fabrica espelhos e molduras em madeira para produtos como quadros e espelhos. "Acho que vamos fechar negócios para as bandejas e as molduras. Os árabes compram molduras da Itália e da Espanha. Eles não sabiam que o Brasil também fabrica", afirma Vânia.
Visitas promissoras
De acordo com levantamento da Câmara Árabe, 40% das pessoas que passaram pelo espaço nacional estavam interessadas em serviços de decoração de interiores, 32% em móveis, 13% em objetos de decoração e os demais 15% em outros setores. Segundo a assessora especial da coordenadoria de Relações Internacionais de Comércio Exterior da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Econômico do estado de São Paulo, Francine Dal Pozzo, um dos pontos positivos da feira foi que apesar do fluxo de visitantes não ser muito alto, o público era de qualidade. Ou seja, passaram pela feira pessoas realmente interessadas em fazer negócios.
"Superou as expectativas. As empresas puderam conhecer o mercado, prospectar parceiros", afirma Francine. A Secretaria organizou e promoveu o espaço brasileiro na mostra juntamente com a Câmara Árabe e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP).
De acordo com o consultor do Sebrae, Gilberto Campião, que esteve da mostra, os produtos brasileiros estavam acima do nível dos demais produtos expostos na The Hotel Show. Ele acredita que o Brasil deve continuar participando da feira para tornar o espaço nacional uma referência em Dubai. "Eles precisam saber que os brasileiros estarão sempre na feira e que o espaço brasileiro sempre vai ter novidades", diz Campião.

