São Paulo – O ramo de hotelaria no Brasil continua atraente mesmo num momento em que o turismo internacional sofre com as conseqüências da crise. O potencial do país como destino de investimentos do setor foi destaque na 2ª Conferência Sul-Americana de Investimentos em Hotelaria e Turismo (Sahic), que ocorreu na segunda-feira e ontem (15), no Rio de Janeiro.
De acordo com o coordenador-geral de Promoção de Investimentos do Ministério do Turismo, Laércio de Souza, que participou do evento, a percepção no mercado é de que a taxa média de ocupação dos hotéis caiu pouco no Brasil durante a crise em comparação com outros países e, ao mesmo tempo, houve aumento das tarifas por aqui, o que compensou o movimento menor.
“Não houve queda no mercado hoteleiro brasileiro, [as empresas] até ganharam mais”, disse Souza à ANBA. Segundo ele, se por um lado houve diminuição no número de visitantes estrangeiros, o que contribuiu para a redução da média de ocupação, ocorreu crescimento no total de hóspedes brasileiros, o que, aliado a reajustes sazonais, fez os preços das diárias avançarem.
E as previsões sobre investimentos no setor são otimistas. Souza afirmou que o ministério prevê um volume de investimentos entre R$ 5,6 bilhões e R$ 6 bilhões nos próximos dois anos somente em hotelaria. Ele acrescentou que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do país no segundo trimestre – de 1,9% em relação ao primeiro – gerou projeções otimistas.
O diretor-geral do grupo Accor para as Américas do Sul e Central, Roland de Bonadona, afirmou durante a conferência, por exemplo, que a empresa investe em 15 novos empreendimentos no Brasil. Ele ressaltou que o país conseguiu superar os efeitos da crise e está em plena recuperação, sendo um bom momento para a realização de investimentos. “A situação não é trágica como em outros mercados”, declarou, segundo nota do Ministério do Turismo.
Como em outras áreas, de acordo com Souza, as vedetes do momento no ramo de hotelaria são as grandes nações emergentes como Brasil, China e Índia, que tiveram mais resistência à crise do que os Estados Unidos e a União Européia. No Brasil, o setor de turismo como um todo responde por cerca de 6% do PIB.
Ele acrescentou que os investimentos em hotelaria no Brasil têm origem 50% no Brasil mesmo e 50% no exterior. A região que atrai o maior interesse dos empreendedores do ramo é o Nordeste, com mais da metade dos novos projetos.

