São Paulo – Com a produção de petróleo em águas ultraprofundas da camada pré-sal, a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas de 2016, o Rio de Janeiro vê com forte otimismo as perspectivas de investimentos e de crescimento econômico. O estado, e a capital em especial, esperam ganhar cada vez mais importância como pólo de negócios.
"O Rio de Janeiro tem duas questões predominantes que são o petróleo e a agenda internacional (Copa e Jogos Olímpicos)", disse o secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços do estado, Julio Cesar Carmo Bueno. Nesse contexto, ele acredita que a capital fluminense tem tudo para se tornar um misto de Houston, no Texas, e Barcelona, na Espanha. A primeira porque é o centro da indústria petrolífera dos Estados Unidos, e a segunda por ter se tornado um importante destino turístico internacional, principalmente após ter sediado as Olimpíadas de 1992.
A Secretaria de Desenvolvimento estima que os investimentos no estado vão somar R$ 240 bilhões até 2020, levando-se em consideração projetos confirmados e em desenvolvimento. Já a Federação das Indústrias (Firjan) prevê o aporte de R$ 181,4 bilhões de 2011 a 2013, de acordo com o estudo Decisão Rio. O valor é 43% superior ao do levantamento anterior, relativo ao período de 2010 a 2012.
Segundo o gerente de Novos Negócios e Infraestrutura da Firjan, Cristiano Prado, do total previsto até 2013, R$ 139,9 bilhões devem ser aplicados pelo Poder Público, sendo 60% pela estatal Petrobras, e R$ 41,5 bilhões pela iniciativa privada. "Os setores [da indústria de transformação] que vão atrair mais investimentos são construção naval, petroquímico e siderúrgico", afirmou Prado. Na área petrolífera, de acordo com o secretário Bueno, a aporte de recursos "vai crescer violentamente".
Na pesquisa da secretaria, exploração e produção de petróleo vão receber a maior fatia dos investimentos planejados, seguidas dos ramos de logística, infraestrutura urbana, siderurgia, energia, petroquímica, indústria naval, indústria de transformação, serviços e telecomunicações. Entre o projetos estão o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), da Petrobras, no valor de R$ 14,6 bilhões, empreendimentos portuários, a construção da usina nuclear Angra 3, a reurbanização da área portuária da capital, obras de infraestrutura urbana e a reforma do estádio do Maracanã.
Mais negócios
Na esteira dessas atividades, outros setores devem se desenvolver. "O Rio oferece grandes oportunidades para o investimento privado", declarou o professor de Estratégia Empresarial e Finanças da Fundação Getulio Vargas (FGV), Ricardo Teixeira. "São oportunidades fora de série", acrescentou, entusiasmado.
Ele destacou o setor de serviços, especialmente as áreas de telecomunicações e financeira. Para Teixeira, a capital fluminense tem "vocação" para a prestação de serviços e empresas que tinham deixado a cidade agora estão voltando. Em sua avaliação, isso se deve, em boa parte, pela melhora na segurança urbana, principalmente após a implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) em comunidades antes dominadas por traficantes de drogas. Com menos violência, o Rio, segundo o professor, oferece qualidade de vida melhor do que outros grandes centros, como São Paulo.
Mais tranquilidade favorece também o turismo, setor tradicional no Rio e que deverá ser ampliado ainda mais com a Copa e as Olimpíadas. "Com a queda da violência, a melhora da infraestrutura e dos serviços, parte dos investimentos [em turismo] ocorreria independentemente da Copa e dos Jogos Olímpicos", ressaltou Teixeira. De acordo com Bueno, 17 novos projetos hoteleiros estão em andamento na capital fluminense.
"O setor deverá crescer ainda mais em função do legado que esses eventos [esportivos] podem deixar, que é a consolidação da cidade do Rio de Janeiro como destino turístico mundial", destacou Prado, da Firjan. Como exemplo, ele citou Barcelona, que passou a receber duas vezes mais visitantes após dos Jogos de 1992, chegando à marca de 3,5 milhões de turistas por ano.
Bueno citou investimentos em outras áreas, como o projeto da Hyundai Heavy Industries de construir uma fábrica de equipamentos pesados no estado, no valor de US$ 150 milhões; a intenção da Rolls Royce de abrir uma unidade para produzir turbinas de energia para plataformas de petróleo, empreendimento de US$ 60 milhões; e a construção de uma planta da Nestlé no município de Três Rios.
Segundo ele, dos R$ 240 bilhões previstos pela secretaria em investimentos até 2020, 33% devem vir de fontes privadas e 14% de origem estrangeira. Entre as empresas que anunciaram projetos no estado estão também a GE, Michelin, a norte-americana Baker Hughes (petróleo e gás), a siderúrgica Usiminas e outras.
"O estado e a cidade têm sido o principal destino de investimentos nacionais e internacionais, firmando-se como um importante pólo de negócios estruturado, pronto para receber investidores", afirmou Prado. "Todos os dias atendemos empresários interessados em investir no Rio de Janeiro", acrescentou.
Entre os gargalos enfrentados pelo estado estão a falta de mão de obra e a infraestrutura deficitária em algumas áreas. Prado reconheceu que empresas de diferentes setores estão tendo dificuldades para contratar pessoal "em quantidade e qualidade suficiente", mas garantiu que o núcleo regional do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-RJ) trabalha para oferecer capacitação profissional em larga escala.
No que diz respeito à infraestrutura, Bueno disse que os investimentos em portos e energia estão "em sintonia" com o crescimento do estado, mas ainda é preciso solucionar a questão da capacidade dos aeroportos e promover a expansão das malhas rodoviária e ferroviária. Problemas que, em maior ou menor intensidade, atingem todo o Brasil.
Para Teixeira, a mão de obra e a infraestrutura devem ser supridas conforme pressão da demanda. "O Rio passou muito tempo sem crescer, agora está crescendo rápido. É natural", declarou. Bueno destacou ainda que o estado é o que mais recebe estrangeiros que vêm ao Brasil para trabalhar.

