São Paulo – A companhia de informática norte-americana IBM e a Cidade da Ciência e Tecnologia Rei Abdulaziz (KACST, na sigla em inglês) anunciaram, na última quinta-feira (08), uma parceria em pesquisa para criar uma usina de dessalinização de água do mar movida a energia solar. O objetivo é reduzir os custos da água que será produzida e da energia que será usada no processamento. A informação foi divulgada pela IBM em nota à imprensa.
A usina, que será construída na cidade de Al Khafiji, terá capacidade para processar 30 mil metros cúbicos de água por dia, suficiente para suprir o consumo de 100 mil pessoas. A energia para o processo de dessalinização será fornecida por uma nova tecnologia, o concentrador fotovoltaico ultra-alto (UHCPV), desenvolvido pela IBM e pela KACST. O UHCPV tem capacidade para gerar uma concentração de energia equivalente à de mais de 1,5 mil sóis.
Dentro da usina, o processo de dessalinização deverá empregar outra tecnologia desenvolvida pela parceria IBM/KACST: uma nano-membrana filtra a água, removendo sais e toxinas potencialmente nocivas, e utiliza menos energia do que outros métodos de purificação.
De acordo com os cientistas da KACST, os dois métodos mais usados para dessalinização de água marítima são tecnologia térmica e osmose reversa. Ambos custam entre 2,5 e 5,5 riais sauditas (US$ 0,6 a US$ 1,5) por metro cúbico. A meta do novo projeto é combinar energia solar e a nova nano-membrana para reduzir o custo da dessalinização.
“A Arábia Saudita é hoje o maior produtor de água dessalinizada do mundo, e continua investindo em novas maneiras de baratear o acesso à água potável”, afirmou Turki Al Saud, vice-presidente de pesquisa da KACST. “Água é a prioridade no Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação”, que foi implementado pelo governo saudita e é supervisionado pela KACST.
Mais de 97% da água do mundo está nos oceanos, por isso a transformação de água salgada em potável a um custo acessível, em termos financeiros e energéticos, apresenta um enorme potencial para atender à crescente demanda mundial. Um dos métodos mais eficazes de dessalinização é a osmose reversa. No entanto, há obstáculos ao aproveitamento dessa reserva – principalmente o bio-fouling (acúmulo de microorganismos, plantas, algas e animais), a degradação por cloro e o baixo volume de produção.
A pesquisa da KACST/IBM tem como objetivo aperfeiçoar membranas poliméricas por meio de modificações em nanoescala das propriedades dos polímeros, e assim tornar a dessalinização mais eficiente e reduzir seu custo.
“Nossas pesquisas em colaboração com a KACST já deram origem a tecnologias inovadoras nos setores de energia solar e dessalinização de água”, disse Sharon Nunes, vice-presidente do Big Green Innovations, departamento ambiental da IBM.
Em fevereiro de 2008, a IBM e a KACST assinaram um contrato de colaboração em pesquisa que deverá durar vários anos. O contrato prevê trabalho conjunto entre cientistas das duas organizações em laboratórios da IBM, em Nova York e na Califórnia, nos Estados Unidos, e no Centro de Excelência em Nanotecnologia, em Riad, Arábia Saudita. A parceria também inclui pesquisas sobre novos métodos de reciclagem de tereftalato de polietileno (plástico PET).
*Tradução de Gabriel Pomerancblum

