São Paulo – Os governos do Brasil e do Iêmen assinaram nesta quarta-feira (06), em Brasília, um acordo de cooperação técnica, durante visita do vice-ministro de Cooperação Internacional do país árabe, Omer Abdul-Aziz Abdul-Ghani. Segundo o embaixador Fernando José de Abreu, diretor da Agência Brasileira de Cooperação (ABC), órgão vinculado ao Itamaraty, este é o primeiro tratado assinado entre as duas nações.
“A importância deste acordo é que ele cria um marco legal para cooperação entre os dois países”, disse o diplomata à ANBA. A partir de agora, as duas partes poderão estabelecer convênios em áreas de interesse comum.
“Nós explicamos ao vice-ministro nossos princípios de cooperação Sul-Sul, como o Brasil opera nestas questões”, afirmou Abreu. De acordo com ele, a partir de um pedido específico da outra parte – por exemplo: como melhorar sua produção de café ou de mandioca -, a ABC entra em contato com instituições que atuam na área, repassa a demanda, e uma missão brasileira pode então viajar à nação parceira para elaborar um projeto conjunto, ou o governo interessado pode enviar técnicos para troca de experiências no País.
Segundo Abreu, o Brasil não tem projetos de prateleira nesse tipo de ação. “Nós reagimos à demanda”, destacou. É diferente do modelo da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que, de acordo com o diplomata, “tem projetos pontos” e às vezes vinculados a interesses comerciais.
O embaixador informou que os iemenitas ainda não manifestaram uma área específica em que desejam cooperar. Ele ressaltou, porém, que o Brasil tem “expertise reconhecida” em alguns temas de cooperação internacional, como agricultura, saúde, educação, inclusão social e meio ambiente.
Outra possibilidade, de acordo com o diplomata, é a “cooperação triangular”, onde o Iêmen apresenta uma demanda, o Brasil entra com o know-how e uma terceira parte com os recursos financeiros. Esta é uma ideia que já foi até discutida com países como a Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar, que poderiam agir como financiadores.
Abreu acrescentou que a delegação chefiada por Abdul-Ghani veio ao Brasil em missão “exploratória”, ou seja, para assinar o acordo, discutir possibilidades de cooperação, verificar oportunidades de comércio e investimentos, e realizar diálogo político. O Itamaraty ofereceu um almoço em homenagem aos iemenitas que teve a participação do diretor-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby.
Segundo Alaby, a delegação deverá visitar a sede da Câmara Árabe, em São Paulo, na sexta-feira (08).


