Isaura Daniel
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São Paulo – O Brasil vai terminar o ano com importações de produtos químicos 36,8% maiores do que em 2006. Terão sido importados até o final de dezembro deste ano, segundo estimativa da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), US$ 24 bilhões em químicos. No ano passado, o Brasil gastou US$ 17,4 bilhões com compras externas do segmento. Dentro destas importações, estão produtos oriundos dos países árabes, como fertilizantes e naftas para petroquímica, de acordo com o membro do conselho de administração da petroquímica Braskem, José de Freitas Mascarenhas. Até o mês de outubro as importações chegaram em US$ 19,6 bilhões, com crescimento de 38%.
O aumento das importações deve gerar um déficit na balança comercial do segmento de US$ 13 bilhões, com crescimento de 54% sobre 2006. Um dos motivos desse aumento, segundo líderes do segmento, é o crescimento dos preços de uma das matérias-primas dos produtos, o petróleo, o que dificulta novos investimentos na indústria nacional e, portanto, um aumento da produção doméstica. “O preço da matéria-prima cresce em uma escala difícil de ser administrada pela indústria”, diz Mascarenhas. O mercado de químicos foi tema, na sexta-feira, do 12º Encontro Nacional da Indústria Química, promovido pela Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim).
As importações brasileiras de químicos, segundo o vice-presidente do conselho diretor da Abiquim, Pedro Wongtschowski, vêm principalmente dos Estados Unidos e Europa. Os tipos de produtos químicos que o Brasil mais comprou no exterior, até outubro, foram os inorgânicos, o que inclui fertilizantes e seus produtos, gases industriais, cloro e álcalis. Foram US$ 5 bilhões nestes itens. Os orgânicos, como corantes, graxos, petroquímicos básicos, intermediários para resinas termoplásticas e termofixas, vieram em segundo lugar, com US$ 4,3 bilhões. Os terceiros mais importados foram os farmacêuticos, que somaram US$ 4,2 bilhões, seguidos de resinas e elastômeros, com US$ 2,4 bilhões.
O maior aumento de importações, entre janeiro e outubro deste ano em comparação com os mesmos meses do ano passado, ocorreu em produtos inorgânicos, com 66,3%, depois nos defensivos agrícolas, com 51,7%, e então nos orgânicos junto com sabões, detergentes, produtos de limpeza e artigos de perfumaria, segmento no qual as compras cresceram 33,2%. Segundo líderes do setor, há nesta alta importação uma oportunidade de aumentar a produção no Brasil. Atualmente, segundo Wongtschowski, isto não ocorre porque a rentabilidade da indústria química tem se mostrado baixa.
Apesar do déficit na balança comercial, a indústria química brasileira também aumentou o seu faturamento e as suas exportações. Neste ano, o faturamento deve chegar a US$ 101 bilhões, segundo a Abiquim, com crescimento de 22% sobre o ano passado. As exportações vão ficar em US$ 11 bilhões, 20% maiores do que em 2006. O Brasil ficará na posição de nono país com maior indústria química em faturamento líquido. Dentro do país, porém, o segmento passará a responder pela terceira maior fatia do Produto Interno Bruto (PIB) industrial contra a segunda posição alcançada em 2006.

