Marina Sarruf
São Paulo – A empresa egípcia Biomedica Engineering, importadora e distribuidora de equipamentos médicos e hospitalares, tem planos de formar uma joint-venture com uma empresa brasileira para fabricar este tipo de produto no Egito. A informação foi dada à ANBA pelo gerente-geral da companhia egípcia, Ahmed Mostafa Salem.
O empresário está participando das rodadas de negócios que ocorrem paralelamente a Hospitalar, feira do setor que vai até sexta-feira (23) em São Paulo. As rodadas são promovidas pela Associação Brasileira da Indústria de Artigos e Equipamentos Médicos, Hospitalares e de Laboratórios (Abimo) em parceria com a Agência de Promoção de Exportações e Investimentos do Brasil (Apex-Brasil).
"Tenho interesse em importar do Brasil equipamentos médicos para salas de operação e para unidades de terapia intensiva", disse Salem. Segundo ele, após achar um fornecedor brasileiro, a idéia é passar a montar o produto no país árabe. A Biomédica Engineering importa cerca de US$ 2 milhões em equipamentos médicos por ano. Os principais fornecedores são Alemanha e Estados Unidos. "Conheci os produtos brasileiros numa feira na Alemanha. Achei que eles têm bom preço e qualidade", afirmou.
No primeiro dia de trabalho em São Paulo Salem fez oito contatos. "São contatos promissores. Primeiro vou estudar as propostas e depois fechar uma parceria", disse. Além dele, há um empresário iraquiano participando das rodadas de negócios.
A Abimo estima que as rodada devem render contratos de US$ 3,5 milhões no período de 12 meses. Além de compradores árabes, participam importadores da África do Sul, Bangladesh, Camarões, Costa Rica, Equador, Grécia, Panamá, Peru, Turquia e Venezuela.
Exportações para os árabes
De acordo com o gerente de marketing internacional da Abimo, Maurício Manfré, a entidade está dando uma atenção maior ao mercado árabe nos últimos anos. As exportações brasileiras do setor médico-hospitalar para os países árabes aumentaram em 172% de 2003 para 2005. No ano passado, as vendas externas para o Oriente Médio somaram US$ 6,8 milhões.
Desde 2002 a Abimo participa da Arab Health, feira do setor que é realizada em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. Este ano ela contou com a presença de 40 empresas brasileiras Desde 2004 a entidade participa também da International Dental Conference & Arab Dental Exhibition, feira do setor odontológico em Dubai.
Além de feiras, a Abimo vem organizando missões empresariais aos países árabes. No ano passado a entidade levou uma delegação comercial para Arábia Saudita e Jordânia. No ano que vem deverá ser feita uma missão ao Líbano e à Síria. Segundo Manfré, os principais importadores árabes do setor médico-hospitalar brasileiro são Líbano, Jordânia e Síria.
Estande egípcio
Além dos importadores, fabricantes egípcios estão expondo na feira. São 16 empresas e entidades. A House Medical Group, indústria de produtos descartáveis, por exemplo, fez 30 contatos nos dois primeiros dias da feira. Segundo seu presidente, Samir Mourad, ela já exporta para Europa e Oriente Médio e quer arrumar um distribuidor no Brasil.
A House Medical Group produz 7,2 milhões de unidades de produtos descartáveis por mês, como toucas, máscaras e roupas cirúrgicas. Do total, 60% é exportado. "Produzimos mais de 80 itens diferentes", disse Mourad. A empresa emprega 55 funcionários.
A maioria dos expositores egípcios achou o segundo dia da feira melhor que o primeiro. "Recebemos muitas visitas de empresários de países latino-americanos, como Peru, Colômbia e Bolívia", disse o gerente comercial da Ameco, Ahmed H. Wahby. A empresa é a maior fabricante de seringas descartáveis do Oriente Médio e escolheu o Brasil para entrar na América Latina.
A Câmara de Comércio Árabe Brasileira, que está dando apoio aos empresários egípcios, também conta com um estande na feira para auxiliar empresários interessados em exportar ou importar para o Brasil. A participação das empresas egípcias foi patrocinada pela Associação dos Exportadores Egípcios (Expolink) e pelo Centro de Modernização Industrial, uma agência de fomento à indústria egípcia financiada pela União Européia.

