São Paulo – Os produtos importados respondem por 21,5% do consumo de bens industriais no Brasil, segundo estudo Coeficientes de Abertura Comercial, divulgado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta terça-feira, 22 de novembro, em Brasília. O percentual é recorde dos últimos 15 anos, de acordo com a instituição, e se refere ao acumulado de quatro trimestres encerrados em setembro.
A pesquisa leva em conta tanto o consumo das pessoas como de insumos por parte da indústria. O percentual cresceu 1,2% na comparação com 2010, o que, segundo a CNI, sinaliza que até o final de 2011, o percentual deve avançar ainda mais. Também está em dez pontos percentuais acima do nível mais baixo, registrado em 2003.
O levantamento também aponta que a entrada de bens importados cresceu em todos os anos, de 2003 a 2010, com exceção de 2009. Em 2003, a penetração dos produtos de fora no consumo brasileiro era de 12,1%. No ano passado esteve em 20,3%.
Segundo o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, o recorde do coeficiente de penetração de importações se deve principalmente à valorização cambial e à retração da economia mundial, que tornam atrativo o mercado brasileiro. “Como a China se tornou o maior parceiro comercial do Brasil, o aumento das importações se deve, em boa parte, à entrada de produtos chineses”, assinala.
Na indústria extrativa, a penetração das importações no acumulado dos quatro trimestres até setembro ficou em 58,8%. Houve, segundo a CNI, queda de 0,4 ponto percentual na comparação com 2010. O índice se explica, segundo o economista da CNI, Marcelo Azevedo, pelo alto volume de importações de petróleo e gás.

