Marina Sarruf
marina.sarruf@anba.com.br
São Paulo – O grupo tunisiano Elloumi está de olho na indústria alimentícia brasileira. Uma das empresas do grupo, a Stifen, processadora de frutas e legumes congelados, vê o Brasil como um grande mercado na área de alimentos e tem interesse em abrir uma unidade de produção no país. “Ainda não exportamos para o Brasil, mas vemos aqui um grande mercado”, afirmou Elyes Rekik, diretor financeiro da Cofat, que também pertence ao grupo tunisiano.
Rekik esteve ontem (04) na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, junto com Taieb Taskou, gerente de vendas da Cofat, que produz cabos elétricos para indústria automobilística, e Kays Ellouni, diretor executivo da Elitec, outra empresa do grupo. Segundo Rekik, a Stifen é grande fornecedora de extratos de frutas para iogurtes da Danone, Kellogg’s e Nestlé.
De acordo com o presidente da Câmara Árabe, Antonio Sarkis Jr., que os recebeu na entidade, a escolha do Brasil foi um bom negócio. “Vocês escolheram o país certo. O Brasil é, hoje, um país com muitas oportunidades de negócios, tem uma política econômica estável, é neutro em conflitos internacionais e está vivendo seu melhor momento econômico”. O presidente acrescentou ainda que este ano o país passou a ser credor internacional e está bem perto de atingir o grau de investimento.
Segundo Sarkis, um dos trabalhos da entidade atualmente é atrair investimentos árabes para o país. “Para nossa alegria, o país está sendo reconhecido por toda comunidade internacional”, disse. Além do presidente, o cônsul honorário da Tunísia em São Paulo, Rubens Hannun e o vice-presidente de relações internacionais da Câmara Árabe, Helmi Nasr, também recepcionaram os tunisianos.
O principal motivo da vinda do grupo ao Brasil é estudar o mercado brasileiro para ver as oportunidades de negócios no setor automobilístico e alimentício. Segundo Rekik, a primeira idéia é trazer a Cofat para o Brasil, abrindo uma fábrica de cabos elétricos para indústria automobilística conforma a ANBA anunciou ontem, e no futuro, trazer a Stifen.
“O Brasil é, praticamente, a metade da América do Sul, é um grande mercado. Dentro da América do Sul é o lugar certo para estar”, disse o diretor. Os representantes do grupo Elloumi chegaram ao Brasil no final de semana e já tiveram encontros na Scania, de caminhões e ônibus, e na Volkswagen.
Atualmente, as empresas brasileiras que importam cabos elétricos da Cofat são a Valeo do Brasil, fabricante de módulos e sistemas para indústria automobilística, e a Behr Brasil, de componentes para automóveis. De acordo com Rekik, o volume das exportações da Cofat para o Brasil não é grande, pois a distância atrapalha. “Se instalando aqui, as vendas vão aumentar muito”, disse ele, que também quer usar o Brasil para exportar para os outros países da América do Sul.
Toda a produção da Cofat é destinada ao mercado externo, pois na Tunísia não existem indústrias automobilísticas. Além da fábrica na Tunísia, a Cofat tem uma unidade de produção no Egito. No Brasil, a idéia é ter uma fábrica de cerca de 20 mil metros quadrados.
A programação da delegação no Brasil inclui visitas à Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças), Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Banco ABC Brasil, Banco Itaú e diversos encontros com escritórios de advocacia e consultoria. Os diretores das empresas do grupo devem ficar no país até dia o 12.
O grupo
O grupo Elloumi foi fundado em 1946 e hoje tem 29 empresas que atuam em diversos setores, como alimentos, fios e cabos elétricos, utensílios domésticos, logística e distribuição. No total, são cinco mil funcionários que trabalham nas 14 unidades de produção do grupo nos países árabes e europeus. O capital de giro da empresa é de 500 milhões de euros.

