São Paulo – A indústria automobilística revisou para cima as projeções de vendas externas de automóveis, caminhões e ônibus. No acumulado de janeiro a dezembro deste ano, as unidades embarcadas deverão superar em 7,6% o montante de 2010, totalizando 540 mil veículos.
Essa previsão destoa bastante da anterior, que estimava queda de 3,4%, com a comercialização de 485 mil unidades. De janeiro a outubro, as exportações somaram 438,2 mil veículos, com alta de 4,1% sobre o mesmo período do ano passado e valor total de US$ 12,8 bilhões, avanço de 21,3% na mesma comparação.
Ao anunciar a revisão, o presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, ressaltou que o mercado interno também está com bom desempenho.
“Completamos na última sexta-feira (04) a marca de três milhões de unidades vendidas [este ano], o que mostra a força do mercado brasileiro”, disse Belini, lembrando que, em outubro, as vendas de veículos nacionais e importados no mercado doméstico recuaram 10% em relação ao mês anterior e 7,5% sobre igual período do ano passado.
Belini espera aquecimento nos negócios do setor em novembro e dezembro. No entanto, ele destaca que não houve mudança na projeção de fechamento das vendas internas, que é de aumento em torno de 5%, passando de 3,515 milhões para 3,69 milhões de veículos. Para isso, ele diz que são necessárias a expansão do crédito e a queda dos juros.
Na avaliação do presidente da Anfavea, o comportamento do consumidor revela que ele está mais cauteloso, o que atribui às notícias de crescimento mais modesto na economia norte-americana e das turbulências em torno da dívida externa da Grécia. Mesmo assim, Belini considera o momento tranquilo para os empresários.
Segundo ele, nem mesmo o resultado negativo das vendas internas de outubro deve ser visto como preocupante. Belini negou que a elevação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre os importados já tenha produzido reflexos e disse que a redução, em parte, foi efeito do menor número de dias úteis no mês passado. Para ele, a incidência do IPI maior deve começar a afetar os negócios a partir da segunda quinzena de dezembro, quando estiverem esgotados os estoques reguladores.
A Anfavea manteve a previsão de produzir neste ano 1,1% mais veículos do que em igual período do ano passado, quando saíram das linhas de montagem 3,381 milhões de unidades.

