São Paulo – A indústria automobilística deverá ampliar a média diária de produção de veículos, passando da marca de 8.900 unidades, em janeiro, para 10.800 em fevereiro. Quanto às vendas ao mercado interno de veículos novos nacionais e importados, a média deverá ser de 9.800, ante 9.400 em janeiro.
Esses dados foram apresentados ontem (09) pelo presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Jackson Schneider. Ele, no entanto, disse que, ao contrário dos anos anteriores, o setor não está apresentando as projeções que tradicionalmente divulga sobre o ano todo porque “há volatilidade no mercado, falta um equilíbrio sobre a cotação do dólar, o que pode afetar as exportações e falta um melhor entendimento sobre as repercussões das medidas do governo norte-americano”.
Apesar disso, Schneider acredita que há espaço para as montadoras instaladas no Brasil crescerem. “Não tenho dúvidas de que as condições da macroeconomia brasileira permitem que o Brasil se saia melhor do que o resto do mundo na área automotiva”, disse ele.
Sobre o crescimento expressivo que houve na produção de janeiro sobre dezembro, de 92,7%,o executivo admitiu que foi reflexo das medidas de estímulo adotadas no final de dezembro pelo governo federal, em caráter temporário, de redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), que permitiram o barateamento do produto e da oferta de crédito.
O presidente da Anfavea enfatizou que o crescimento não evidencia uma plena recuperação, apenas teve como base um movimento muito fraco porque, em dezembro, muitas empresas deram férias coletivas diante da baixa demanda que se seguiu logo após o início da crise financeira internacional, em setembro.
Em janeiro, foram produzidos 186.124 veículos ante 96.586, em dezembro. O volume é 27,1% inferior a janeiro de 2008, quando saíram das linhas de montagem 255.228 unidades. Já as vendas aumentaram 1,5% com a comercialização de 197.454 unidades, incluindo os veículos nacionais e importados.
Já as exportações em volume financeiro caíram 50,5% com US$ 428,3 milhões em janeiro, ante US$ 865,3 milhões em dezembro. Sobre janeiro de 2008, quando as vendas externas alcançaram US$ 1,023 bilhão, houve queda de 58,2%.
Questionado sobre o aumento da participação dos veículos importados no mercado interno, que atingiu o maior patamar desde 2007, o presidente da Anfavea disse que o setor tem um movimento natural de compra e venda com os parceiros comerciais, como Argentina e México, mas que as empresas estão tomando todos os cuidados sobre as movimentações do mercado globalizado. Em janeiro, a participação de veículos importados no mercado brasileiro foi de 19,6%, enquanto em dezembro foi de 16%. Em janeiro do ano passado, a participação era mais tímida, de 13,9%.
Segundo os cálculos da Anfavea, somando as unidades que estão deixando de ser vendidas nos Estados Unidos e na Europa, existem cerca de 13 milhões de veículos a procura de escoamento. Ele informou que não há ainda a intenção por parte da indústria de pedir ao governo federal a prorrogação da redução dos impostos.

