Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br
São Paulo – Os árabes dobraram as suas compras de máquinas do Brasil no primeiro semestre deste ano. As exportações do setor para a região aumentaram 100% sobre o mesmo período do ano passado e passaram a US$ 117,3 milhões, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (19) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Cresceu por causa da demanda deles. Eles vêm demandando cada vez mais máquinas”, diz o presidente da Abimaq, Newton de Mello.
De acordo com o presidente da Abimaq, uma das razões para o aumento das vendas para a região é a exportação de equipamentos para o setor petrolífero. “Somos bons em equipamentos petrolíferos”, diz Mello, a respeito da produção brasileira na área. De acordo com ele, há, porém, também vendas de equipamentos para outros tipos de indústrias no mundo árabe. “Na Arábia Saudita, por exemplo, existe um enorme esforço de industrialização por parte do governo”, explica o presidente da Abimaq.
Os maiores compradores de máquinas brasileiras, entre os árabes, entre janeiro e junho deste ano, foram Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Cada um dos países gastou US$ 47 milhões com equipamentos produzidos no Brasil. Em seguida vieram Egito, com US$ 14 milhões, e Argélia, com US$ 8 milhões. O Brasil, na verdade, aumentou as suas exportações aos árabes como um todo em 20,8% no primeiro semestre deste ano. Elas ficaram em US$ 3,2 bilhões. Ou seja, as máquinas responderam por 3,65% do total.
O Brasil também teve um aumento nas suas exportações de máquinas e equipamentos em geral no primeiro semestre, segundo dados da Abimaq. As indústrias do setor obtiveram uma receita de US$ 4,7 bilhões com vendas externas, valor que é 21% superior ao registrado nos mesmos meses do ano passado. “Cresceram, mas poderiam ter crescido muito mais”, afirma Mello. O principal entrave para um aumento maior, segundo Mello, foi o dólar desvalorizado. “Está menos estimulante para as empresas exportarem.”
Um dos motivos para as vendas externas continuarem em ascendência, apesar do câmbio, segundo Mello, é que as empresas mantêm os contratos, mesmo não sendo lucrativos, para não perderem os clientes. “Uma vez que você consegue um canal de distribuição, você reluta em abandonar”, explica. O mercado mundial, segundo o presidente da Abimaq, também está demandando máquinas. Os maiores compradores de máquinas brasileiras no exterior no semestre foram Estados Unidos, Argentina e Cingapura. As vendas para os norte-americanos, porém, caíram 5,4%, para US$ 1,197 bilhão.
Faturamento
O setor de máquinas e equipamentos também teve aumento de faturamento no primeiro semestre. Ele cresceu 10% e chegou a R$ 28,9 bilhões. Os maiores aumentos de receita foram entre os produtores de máquinas para madeira, com 74,3%, válvulas industriais, com 35,4%, e máquinas agrícolas, com 32,6%. “No ano de 2006 começou a haver uma reação em habitações populares e as pessoas precisaram comprar móveis (para as novas casas)”, diz Mello, lembrando que isso fez a indústria de móveis encomendar mais máquinas.
Este tipo de indústria, porém, segundo o presidente da Abimaq, não tem uma participação tão expressiva no setor como um todo. Já as válvulas foram vendidas principalmente para projetos da Petrobras, como plataformas e indústrias petroquímicas. O segmento petrolífero, aliás, e o agrícola, foram os maiores responsáveis, segundo Mello, pelo bom desempenho da produção brasileira de máquinas no primeiro semestre. Mello fez ontem a sua última coletiva à imprensa como presidente da Abimaq. Hoje (20) ele entrega o cargo ao empresário Luiz Aubert Neto.

