Isaura Daniel
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São Paulo – Os líderes da indústria brasileira pretendem ampliar as fronteiras da pesquisa no segmento. Eles querem preparar as empresas do país para fazer pesquisas para inovação fora do país e também incentivar o capital estrangeiro a investir mais em pesquisa no Brasil. Essa foi uma das conclusões do 2º Congresso Brasileiro de Inovação na Indústria, que ocorreu nesta semana em São Paulo e que teve seus resultados apresentados ontem (26) à imprensa pelo gerente executivo de competitividade industrial da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Maurício Mendonça. A CNI foi a promotora do encontro.
"Está acontecendo um movimento de internacionalização da pesquisa. As multinacionais fazem pesquisa onde têm suas sedes, na matriz, e também no mundo inteiro. Hoje o modelo de desenvolvimento tecnológico no mundo é cada vez mais aberto, mais participativo. Queremos preparar as empresas brasileiras para pesquisar em casa e fora de casa, inserindo-se em redes globais de pesquisa", disse o executivo. Ele lembrou que o Brasil já tem centros de pesquisa mundiais, em setores como automobilístico, de eletroeletrônicos e bens de capital, mas precisa de um conjunto de ações públicas para dar suporte a eles.
A entidade vai apresentar, a partir das discussões do projeto, sugestões de medidas ao governo federal para incentivar a inovação dentro da indústria brasileira. De acordo com Mendonça, está sendo preparado, por uma série de instituições, com o acompanhamento também da CNI, um plano para atração de recursos e projetos de desenvolvimento e pesquisa, como, por exemplo, o desenvolvimento de parques tecnológicos. "Isso favorece a atração de investimentos", disse o gerente executivo. Uma das idéias da CNI é a criação de projetos mobilizadores, nos quais seriam reunidos esforços por busca de novas tecnologias por parte de instituições e indústrias com um mesmo foco.
"O Brasil tem se posicionado neste jogo (da busca mundial por novas tecnologias), temos recursos humanos significativos, mas temos que correr muito, dar saltos mais altos", disse. Mendonça lembrou de números citados já no início do encontro, de que o Brasil investe atualmente 1% do Produto Interno Bruto (PIB) em inovação, cerca de R$ 10 bilhões, e deve passar para 2% até 2010. Dentro deste valor há investimentos de grandes empresas, como Petrobras, que investe R$ 1 bilhão por ano, e Companhia Vale do Rio Doce, com cerca de R$ 300 milhões, dos fundos setoriais do Ministério da Ciência e da Tecnologia, com R$ 1 bilhão, e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com R$ 400 milhões.
Atualmente, do total investido, cerca de 40% vem do setor privado. A intenção da CNI é que o valor aplicado pelas indústrias aumente. Ou seja, os investimentos totais devem duplicar até 2010, mas os investimentos por parte do setor privado devem triplicar. O maior investimento em tecnologia deve permitir também que o Brasil exporte produtos de maior valor agregado. Esse é uma das metas da CNI com o plano de inovação que vai apresentar ao governo. Mendonça lembra que atualmente países em desenvolvimento como o Brasil tem muitos problemas de acesso a mercados, nas nações desenvolvidas, com barreiras não-tarifárias, como regras na área ambiental e técnica. "As empresa precisam ter muita capacidade técnica para se adaptar a essas regras", diz.

