Marina Sarruf
marina.sarruf@anba.com.br
São Paulo – O presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), Marcus Vinícius Pratini de Moraes, afirmou ontem (05) que o setor de carnes tem interesse em estabelecer empresas binacionais e criar joint-ventures com companhias argelinas, principalmente nas áreas de distribuição, preparação e estocagem. “Nosso objetivo não é ter a totalidade da cadeia em mãos de empresas brasileiras, mas trabalhar em cooperação com os empresários locais para poder desenvolver mais negócios”, disse ele, após o encontro com o ministro da Agricultura e do Desenvolvimento Rural da Argélia, Said Barkat, na sede da Abiec, em São Paulo.
O país árabe, localizado no Norte da África, foi o nono maior comprador de carne bovina brasileira de janeiro a setembro deste ano, com importações de US$ 81,105 milhões, o que correspondeu a 61 mil toneladas. “A Argélia é hoje um dos grandes consumidores de carne bovina brasileira. As nossas exportações continuam crescendo desde 2002. É um mercado importante, exigente e que compra cada vez mais carnes nobres”, afirmou Pratini. Segundo ele, esses são os principais motivos para o setor brasileiro ter interesse em estabelecer relações mais estreitas com o país árabe.
Pratini, que já foi ministro da Agricultura do Brasil, disse ainda que a Abiec tem feito inúmeras reuniões e discussões para resolver os problemas naturais do comércio. “Estamos muito satisfeitos com os negócios com a Argélia. Acho que eles vão continuar crescendo”, completou.
As afirmações de Pratini vão de encontro ao que o ministro argelino falou durante sua visita ontem à sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, onde ele falou da importância das parcerias e dos investimentos. Após o encontro na Abiec, o ministro lembrou que, além da carne bovina, a Argélia importa muito leite do Brasil. “Nós estamos muito interessados na cooperação no setor de carne e na tecnologia da produção de leite do Brasil”, disse. Por isso, o ministro vai visitar laticínios e frigoríficos durante os dias que vai ficar no Brasil.
Ainda ontem, o ministro argelino visitou a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras), responsável pela certificação do abate halal, tipo de corte exigido pelos muçulmanos. O diretor-executivo da entidade, Mohamed Hussein El Zoghbi, que recebeu o ministro, também participou do encontro na Abiec.

