Isaura Daniel
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São Paulo – A indústria brasileira de embalagens quer conhecer melhor o mercado árabe. A Associação Brasileira de Embalagem (ABRE) vai dedicar este e parte do próximo ano para estudar as oportunidades que há na região. O objetivo, de acordo com a diretora executiva da ABRE, Luciana Pellegrino, é conhecer, por exemplo, os tipos de embalagens mais utilizadas no mundo árabe e também como são as embalagens com as quais a indústria brasileira exporta para o mercado de lá. O estudo deve ajudar a oferecer produtos mais adequados para os árabes e definir uma possível participação brasileira na Gulfpack, feira do setor que ocorrerá em Dubai, nos Emirados Árabes, em abril do próximo ano.
“Vamos fazer um mapeamento das oportunidades. Vemos que o mercado árabe está crescendo muito. Há uma indústria plástica e petroquímica forte, há potencial na importação”, diz a diretora. De acordo com Luciana, o Oriente Médio está entre os mercados compradores das embalagens do Brasil, mas os grandes volumes de exportação mesmo vão para regiões mais próximas, como Mercosul ou América Latina como um todo. América do Norte, Europa e Ásia também estão entre os importadores do produto fabricado no Brasil. O setor de embalagens exportou, no ano passado, US$ 479 milhões.
O dado faz parte de um levantamento do Instituto Brasileiro de Economia (IBRE) da Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgado ontem (27) dentro de um levantamento do coordenador de análises econômicas da instituição, Salomão Quadros, em um seminário promovido pela ABRE em São Paulo. As exportações de embalagens cresceram 27,22% em 2007 sobre o ano anterior. “Essa taxa de crescimento contém aumento físico (das vendas) e também valorização do produto”, explicou Quadros. Ele lembra que há cerca de quatro anos, as exportações do segmento chegavam apenas a cerca de US$ 100 milhões. Em 2006, elas alcançaram US$ 376,7 milhões.
A produção da indústria brasileira da embalagem cresceu, no ano passado, 2,1%. Apesar de pequeno, foi o maior crescimento desde 2004, e segundo Quadros, reflete o que aconteceu em outros setores da economia. A indústria brasileira de alimentação, uma das que mais utiliza embalagens, cresceu 2,5% em 2007. Entre os segmentos industriais brasileiros que mais cresceram no ano passado estão alguns que não são grandes usuários de embalagens, como o de bens de capital, ou máquinas e equipamentos, que avançou 19,5%, e os de consumo duráveis, como os automóveis, que avançou 9,2%.
O estudo da FGV aponta um crescimento de 2,5% para a indústria de embalagens neste ano. De acordo com Salomão, o segmento pode acreditar na continuidade do crescimento já que atualmente os fundamentos da economia brasileira estão mais sustentáveis. “Emprego, renda e crédito combinados podem fortalecer o poder aquisitivo da população”, disse o economista. Quadros também acredita que começará uma fase de investimentos no setor, que está com sua capacidade utilizada em 87,2%, segundo o levantamento. “A combinação de demanda forte e sustentada com utilização da capacidade indica uma fase de investimentos”, afirmou o economista a uma platéia de empresários e profissionais do setor.

