São Paulo – A indústria de bicicletas está discutindo a possibilidade de formar um polo no Brasil e com isso poder aumentar a produção e exportar. A informação é do diretor executivo da Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo), Moacyr Alberto Paes. “Temos um planejamento, uma discussão no setor para formar um polo de fabricação de bicicletas, com a produção concentrada. Isso incentivaria a indústria nacional de componentes, poderia se oferecer um preço mais competitivo e a bicicleta ficar mais barata. Daí se tentaria exportar”, diz Paes.
Tendo um produto final de preço menor a indústria nacional ganharia fôlego para concorrer com as bicicletas asiáticas tanto no Brasil quanto no exterior. Hoje, o grande problema do segmento é a dificuldade de enfrentar as produções chinesa e indiana. Os dois países são os maiores fabricantes do mundo, a China com 80 milhões de bicicletas produzidas ao ano ou 67% da fabricação global, e a Índia com 10 milhões de bicicletas ou 8% do volume mundial. O Brasil é o terceiro maior produtor, com 5,3 milhões de bikes, equivalentes a 5% do total.
Atualmente as indústrias de bicicletas estão espalhadas pelo Brasil. Há, por exemplo, três fábricas em Manaus, no Amazonas, uma em São Paulo e uma no Piauí. Pelo fato de já abrigar três indústrias há, no entanto, segundo Paes, a possibilidade de que esse polo seja formado em Manaus. “Mas isso é só uma discussão ainda”, esclarece. Tirando as companhias formais, há uma série de empresas informais que montam as bicicletas com os componentes importados, de qualidade inferior, e vendem com preços bem baixos. “A indústria não consegue aumentar a produção em função desta concorrência”, diz Paes.
O setor, no entanto, ganhou algum alívio com medidas que foram tomadas neste ano, como o aumento do Imposto de Importação de bicicletas, de 20% para 35%, em setembro. Também estão sendo levadas adiante outras ações, como maiores exigências de certificação das peças e novos procedimentos de recolhimento de impostos do setor, que devem dificultar a sonegação e coibir as atividades informais. Tudo isso já leva a Abraciclo a esperar aumento de produção nos próximos anos. “Não em grandes percentuais, mas de um dígito”, diz Paes. Em 2011, no entanto, ainda deve haver queda na fabricação, de 5% sobre 2010, com cinco milhões de bikes.
Segundo dados da Abraciclo, a produção está praticamente estagnada nos últimos anos. O consumo crescente de um novo perfil de bicicleta no Brasil e exterior, no entanto, também sopra a favor da indústria. “O segmento de bicicletas mais equipadas vem crescendo ano a ano em função da conscientização ecológica, da conscientização de saúde. A cidade de São Paulo tem algumas ciclovias, ciclofaixas de lazer”, relata o diretor executivo da entidade. O Brasil tem know-how e já produz essas bicicletas.
Atualmente, de acordo com dados da Abraciclo, das bicicletas vendidas no Brasil, 50% são para transporte, o que inclui bicicletas para trabalho, 32% são do segmento infantil, 17% para recreação e lazer e 1% para competição. As bicicletas mais equipadas são usadas principalmente por esportistas ou pessoas que não têm nelas apenas um meio de transporte, mas a utilizam por opção, como forma de ficarem mais saudáveis e poluírem menos com seus carros. “Mas ainda não temos a medida do aumento deste consumo”, afirma Paes.

