Dayanne Mikevis, especial para a ANBA
São Paulo – A indústria brasileira de cosméticos está ampliando seus mercados de exportação, embora os países da América do Sul ainda sejam os principais destinos. De acordo com dados da Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec), em 2001 o país vendeu para 75 países e 69,7% das exportações tiveram como destino países sul-americanos. Já em 2003, o Brasil expandiu seu alcance de vendas para 102 nações e 58,7% dos negócios foram fechados com a América do Sul.
Hoje, 136 empresas estão envolvidas no programa de exportação da Abihpec, segundo o presidente da entidade, João Carlos Basílio da Silva. No início do programa eram apenas oito. A entidade busca a ampliação do leque de compradores, principalmente apoiando a participação de empresas brasileiras em feiras internacionais.
De acordo com o Euromonitor de 2002, uma respeitada revista européia de economia, o Brasil ocupava a sétima posição entre os produtores de cosméticos. No Oriente Médio, o país disputa mercado principalmente com países europeus e a China, classificada como oitava produtora de cosméticos no mundo.
Segundo Silva, as exportações brasileiras de cosméticos para a região já haviam superado no meio do ano o total de 2003, que foi de R$ 1,5 milhão. O mercado em maior expansão é o dos Emirados Árabes Unidos. Líbano, Jordânia e Líbia, só para citar países árabes, ficaram praticamente estáveis de acordo com Silva.
Na pauta geral e para o Oriente Médio, os destaques da indústria são os mesmos. Como líder aparece o setor de higiene bucal, puxado por multinacionais instaladas aqui e que exportam para diversas partes do mundo.
Cabelos
Depois vêm os produtos para cabelo, cuja predominância de exportadores é de pequenas e médias empresas. De acordo com Silva, a grande concorrência no mercado interno brasileiro originou uma segmentação e várias pesquisas de produtos para uma gama variada de tipos de cabelos.
Segundo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), em 2003 o Brasil tinha 1.123 empresas de cosméticos, higiene e beleza habilitadas a operar. Para Silva, tal fato está ligado à miscigenação brasileira, que obriga as empresas a depositarem nas gôndolas desde produtos para cabelos lisos e oleosos, aos para cabelos extremante crespos e secos, com todas as variações e gradações do gênero.
De acordo com Silva, esse é outro ponto que coloca as empresas brasileiras em vantagem no mercado árabe. Isso porque são países com uma miscigenação de longa data, cujas mulheres também têm cabelos de tipos variados e geralmente mais secos, como é o da maioria das brasileiras.
Nesse quesito, por exemplo, o gerente de exportação Paulo Canto de Miranda, da Bonyplus, que exporta pelo segundo ano para essa região do mundo, disse que os produtos são muito bem aceitos, em especial os cremes de tratamento e tinturas.
Já as revistas de cosméticos européias destacam a região como compradora de perfumes, setor no qual o Brasil tem alguma presença.
Brechas
No Oriente Médio, segundo Silva, ainda há espaço para a introdução de produtos capilares e linhas de cuidados para pele e rosto. Em sua análise, a África como um todo é uma grande compradora em potencial de artigos para cabelos, bem como descartáveis (fraldas e absorventes) e produtos para higiene bucal.
Uma das grandes portas de entrada para o continente africano, de acordo com o site African Business, que busca fomentar o comércio com o continente, é Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. A cidade é o maior pólo de entrada de cosméticos no Oriente Médio, isso também por ter tarifas de importação mais atraentes e servir como um centro de distribuição dos produtos.
Além da Bonyplus, a Racco, Boticário, Água de Cheiro, L´Acqua di Fiori, Chamma da Amazônia, SNC, Niasi, Surya Henna já fecharam negócios com países árabes. Para a maioria delas, é o primeiro ano de atuação na região ou o segundo.
A Racco, por exemplo, vai começar a exportar para a região em 2005, depois de contatos realizados durante a feira de cosmética de Dubai, e já inicia com dez países (leia no link abaixo). A Chamma da Amazônia aposta no diferencial de seus produtos, feitos com extratos coletados na região amazônica. A biodiversidade brasileira é outro ponto que chama a atenção para os cosméticos nacionais, de acordo com Silva.
Tanto a Racco como a Bonyplus, além de mercados mais tradicionais para os brasileiros como Egito, Arábia Saudita, Emirados Árabes e Líbano, também pretendem atingir os mercados do Iraque e do Irã, que não é um país árabe, mas fica no Oriente Médio.
O consumidor
A Abihpec e as empresas ouvidas pela ANBA classificaram o consumidor árabe como extremamente exigente e de alto poder aquisitivo. De acordo com Anderson Portes, da Racco, que também é responsável pela marca Océanique, a exigência começa pelas embalagens que requerem um design mais caprichado.
A atenção com o design, na análise de Portes, é uma herança do hábito de comprar produtos europeus. De acordo com Silva, tais cosméticos (europeus) não se restringem a uma embalagem bonita, como são também de muito boa qualidade, mas com preços salgados. Já os chineses são conhecidos pelo bom preço e baixa qualidade. É aí, que Silva vê oportunidades para a indústria brasileira, que alia qualidade a preço.

