São Paulo – A Associação Brasileira de Embalagens (Abre) quer promover a entrada de empresas brasileiras do ramo no mercado árabe. Para tanto, a entidade pretende levar companhias associadas para a feira Gulf Pack, que vai ocorrer em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em abril do próximo ano. Essa será a primeira ação institucional da Abre na região.
Como parte do processo preparatório, o Comitê de Comércio Exterior da entidade recebeu ontem (28), em São Paulo, o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, para uma palestra sobre como negociar com os árabes em geral e com os Emirados em especial.
Além de funcionários da Abre, participaram do encontro representantes de algumas empresas, como a Suzano, de papel e celulose; a Rigesa, de embalagens de papel, papelão e papel cartão; a Pavax, de equipamentos para embalagens; a Védat, de embalagens para produtos farmacêuticos; e a Associação Brasileira de Embalagens de Aço (Abeaço).
“O que nos motivou a buscar esse mercado foi que nós sentimos que há potencial na região e interesse por parte de nossos associados”, disse à ANBA o coordenador do comitê, Paulo de Castro. Segundo ele, embora algumas empresas do ramo já tenham negócios no mundo árabe, outras procuram o apoio da entidade para acessar o mercado, uma vez que têm dificuldades de chegar lá sozinhas.
Nesse sentido, a Abre assumiu a responsabilidade de levar as companhias interessadas ao mercado. “Independentemente da Gulf Pack nós faríamos algo, mas a feira surgiu como um elemento catalisador”, afirmou Castro. A entidade negocia espaços e preços com a organização da mostra.
Mesmo com a concorrência de fabricantes da Europa, Estados Unidos, Ásia e da própria região, Castro acredita que a indústria brasileira tem condições de conquistar espaço nos diferentes segmentos, seja de embalagens plásticas, de vidro, metálicas, ou de papel e papelão.
Segundo ele, a indústria nacional tem vantagens competitivas, como tecnologia e maquinários avançados; produtos com design diferenciado, que inclusive foram premiados pela World Packing Organisation (WPO) no ano passado; e flexibilidade para adaptar a mercadoria às necessidades do cliente.
Castro acrescentou que os brasileiros vêm tendo sucesso em outros mercados, mesmo em países onde há produção local, o que indica boa capacidade para enfrentar a concorrência internacional. A Abre já participa de eventos na Argentina, na Europa e nos Estados Unidos. “Temos condições de competir e nosso objetivo agora é achar o nicho de cada um dos segmentos”, declarou. A feira vai servir para que as empresas encontrem a fatia do mercado que podem ocupar.
Alaby destacou uma série de costumes que os árabes têm ao negociar, características econômicas e tributárias dos mercados, deu dicas aos empresários e falou dos serviços oferecidos pela Câmara Árabe, entre eles o Centro de Negócios que a entidade mantém na Zona Franca de Jebel Ali, em Dubai, em parceria com a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex).
A Abre vai levar as informações da reunião para outros associados, na perspectiva de convencer o maior número de empresas a participar das ações de promoção comercial.
Indústria e mostra
Segundo informações do site da associação, em 2007 a indústria brasileira de embalagens faturou R$ 32,5 bilhões, um aumento de 2,1% em comparação com 2006. Para este ano, a expectativa de receitas é de R$ 34,2 bilhões.
As exportações renderam US$ 479 milhões no ano passado, um aumento de 27% em relação a 2006. Já as importações de embalagens vazias somaram US$ 368 milhões, um crescimento de 26% na mesma comparação.
De acordo com o site da Gulf Pack, a feira é a única do gênero na região. Ela ocorre juntamente com uma mostra do setor gráfico, a Gulf Print. Segundo a organização, o mercado gráfico do Oriente Médio movimentou US$ 5,3 bilhões no ano passado e deve crescer para US$ 7,6 bilhões até 2012, com a indústria de embalagens participando com 42% do total.
Mais informações
Abre
www.abre.org.br
Gulf Pack
www.gulfpack.info

