Geovana Pagel
São Paulo – "Os mercados árabes são cada vez mais importantes e estratégicos para a indústria nacional de máquinas e equipamentos. Nos últimos anos empresários do setor participaram de feiras em Dubai (Arab Plast) e na Arábia Saudita (Saudi Agriculture) e voltaram surpresos e satisfeitos com as possibilidades de negócios", afirmou ontem (01) o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos (Abimaq), Newton de Mello, durante a divulgação dos indicadores econômicos do setor de bens de capital mecânicos em 2004.
Os números da Abimaq revelam que o setor atingiu um faturamento de R$ 45,613 bilhões em 2004, com crescimento de 30% sobre 2003, que foi de R$ 35,1 bilhões. "Este resultado representa o melhor desempenho desde 1995, em faturamento e geração de empregos", comemorou Mello. No ano passado foram geradas 24,2 mil novas vagas no setor, que emprega mais de 200 mil pessoas.
As exportações bateram recorde histórico em 2004 e trouxeram equilíbrio para a balança comercial. As vendas externas chegaram a US$ 6,841 bilhões, o que representou um crescimento de 38,5% sobre 2003. Já as importações atingiram US$ 6,836 bilhões, com aumento de 18% em relação a 2003.
O presidente da Abimaq, Newton de Mello, enfatizou o esforço do fabricante brasileiro que, após a desvalorização cambial de 1999, foi em busca do mercado externo contribuindo para a conquista de reconhecimento fora do país.
"Outro fator que contribuiu para a elevação das exportações foi a cotação do dólar em 2003 até meados de 2004, garantindo competitividade às máquinas produzidas pela indústria local em mercados onde o preço é importante", afirmou.
Além disso, segundo Mello, ocorreu a reativação da indústria nos Estados Unidos e Europa, aumento das vendas para países da América Latina, como México e Argentina, que registrou crescimento de 77%. Os segmentos que mais contribuíram para o total das exportações foram o de máquinas rodoviárias, o de compressores, bombas e transmissão mecânica.
Segundo o presidente, os principais destinos das exportações demonstram o grau de desenvolvimento tecnológico alcançado pelas máquinas e equipamentos produzidos pela indústria nacional. Os Estados Unidos são o principal mercado, com cerca de US$ 1,814 bilhão, seguido pela Argentina, com US$ 816 milhões, Alemanha, com US$ 486 milhões, México, com US$ 479 milhões, e Reino Unido, US$ 331 milhões.
Os países árabes, como Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, estão na lista de novos mercados e devem continuar importando máquinas brasileiras em 2005. "Este ano vamos continuar investindo na região que ainda importa muito pouco da indústria nacional de máquinas, mas que tem muito potencial", garantiu.
"Na Arábia Saudita, por exemplo, a surpresa durante a participação na Saudi Agriculture foi a descoberta de modernos sistemas de irrigação que permitem o plantio e, conseqüentemente, demandam de máquinas agrícolas", completou.
Investimentos
O bom desempenho do setor em 2004 motivou o anúncio de uma estimativa de aumento nos investimentos. Neste ano devem ser aplicados cerca de R$ 8,2 bilhões, R$ 2,1 bilhões a mais que os R$ 6,1 bilhões de 2004.
O dinheiro será destinado principalmente para a modernização tecnológica, ampliação da capacidade industrial, reposição de máquinas depreciadas e item complemento, que representa novos produtos, benfeitorias e veículos.
Preocupação
Apesar do resultado positivo de 2004, a expectativa para 2005 não é muito otimista. O grande vilão é a cotação do dólar. O aumento do custo do aço (matéria-prima da indústria de máquinas) e a queda nos preços das commodities agrícolas também poderão comprometer o crescimento do setor neste ano, segundo o presidente da Abimaq.
"O dólar baixo tira competitividade no exterior. Se mantivermos o mesmo volume de exportações já terá sido sucesso", garantiu. "Se a situação da desvalorização do dólar em relação ao real se manter, poderemos até registrar decréscimo de cerca de 20% no segundo semestre", afirmou.
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