Débora Rubin
e Geovana Pagel
São Paulo – O setor de máquinas e equipamentos terá em 2006 um desempenho inferior ao do ano passado, principalmente em razão da forte valorização do real frente ao dólar. Se as estimativas da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) forem confirmadas, o faturamento este ano será de R$ 50 bilhões, um pouco menor que os R$ 55,9 bilhões faturados em 2005. Após dois anos de superávit, a balança comercial do setor vai voltar a ficar deficitária. Até o final do ano o setor deve exportar US$ 9,2 bilhões e importar entre US$ 10,2 bilhões e US$ 11 bilhões.
A invasão chinesa também aumentou no último ano. Em alguns segmentos, fabricantes abandonaram a produção e passaram a se dedicar apenas à importação. "Temos exemplo no passado. Nos anos de 1997 e 1998 tivemos uma forte crise cambial, com uma super valorização do real, e mais de 200 empresas fecharam as portas. Se a situação cambial perdurar o setor vai sofrer as conseqüências. Esse filme nós já vimos antes", alerta o presidente da Abimaq, Newton de Mello.
Segundo Mello um dado já é preocupante: a diminuição do número de empregos gerados pelo setor. Em 31 de agosto de 2005, o setor empregava 214,2 mil pessoas. Em 31 de agosto de 2006, esse número baixou para 208,9 mil.
No entanto, apesar da crise que o setor enfrenta, o ano de 2007 é aguardado com otimismo. Para os empresários, a tendência é que, independentemente de qual será o novo governo, a política de câmbio deve mudar em breve. Espera-se uma reversão dos índices de desenvolvimento e que haja uma atenuação da crise. Em 2004, os fabricantes de máquinas e equipamentos registraram o maior crescimento dos últimos dez anos. Naquele ano, o setor atingiu um faturamento de R$ 45,613 bilhões, 30% a mais que os R$ 35,1 bilhões faturados em 2003.
"O principal desafio do setor desse ano está sendo reverter esse quadro desfavorável e que tem levado fabricantes nacionais a programar planos mais agressivos de racionalização de custos e investimentos em melhoria de produtividade", afirma André Luis Romi, gerente de relações institucionais das Indústrias Romi, fabricantes de máquinas-ferramenta e injetoras de plástico. "Para 2007, o setor está otimista, principalmente, por uma visão de retomada nos investimentos em setores como agronegócio, energia e infra-estrutura", destaca Romi.
Na avaliação do presidente da Abimaq, medidas já anunciadas começam a apresentar um quadro favorável, como a não obrigatoriedade de conversão em reais dos dólares gerados pelas exportações. "É imediato. Hoje o exportador é obrigado a converter apenas 30%. O resto pode ficar no exterior e ser utilizado inclusive para comprar insumos sem transitar esse dinheiro no Brasil. Isso pode valorizar o dólar", explica.
De acordo com Mello, o norte do país deverá ser a retomada do desenvolvimento econômico, com direito a mais emprego, mais exportação de bens de valor agregado, integração regional e valorização do Mercosul. "Por isso, esperamos que o novo presidente, seja quem for o vencedor, desamarre o setor produtivo, que sofre o arrocho provocado pela carga tributária, burocracia e situação cambial. Que inicie o governo com medidas de contenção da entrada de dólares, que não traz benefícios diretos para a sociedade brasileira".
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