São Paulo – O Oriente Médio é uma das regiões em que mais tem crescido o consumo de suco de laranja no mundo. Isto pode ajudar o Brasil a superar a queda nas importações de seus principais mercados consumidores no mundo, os Estados Unidos e a Europa. Os dados foram apresentados no seminário "Desafios da Citricultura Brasileira", realizado nesta quarta-feira (20), em São Paulo, pela Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos (CitrusBR) e pelo jornal Valor Econômico.
"A Ásia, o Oriente Médio e a América Latina vêm liderando o crescimento do consumo do suco de laranja", destacou Alexandre Carvalho, diretor de marketing da empresa de embalagens Tetra Pak, durante sua apresentação. Dados exibidos pelo executivo mostram que, de 2003 a 2009, o aumento do consumo da bebida no Oriente Médio foi de 4,3%, enquanto na América Latina o crescimento foi de 4,5% e na Ásia de 7,9%.
Em entrevista à ANBA, Eduardo Eisler, vice-presidente de Estratégia de Negócios da Tetra Pak no Brasil, diz que este aumento de consumo no Oriente Médio segue a mesma linha dos crescimentos ocorridos na América Latina e em outras regiões fora da Europa e do mercado norte-americano. "É um fenômeno em que classes emergentes estão surgindo, em que a indústria está se desenvolvendo rapidamente e em que se desenvolveu uma agricultura que permitiu que as frutas chegassem aos consumidores", diz.
Segundo o executivo, as populações destes países estão adquirindo o hábito de consumir frutas e sucos. "Por isso são grandes importadores, porque a renda cresce, então, eles têm mais necessidades, mais demandas de importação, por isso está crescendo a demanda de importação de suco do Brasil", esclarece.
Para Eisler, há um enorme potencial de aumento das exportações brasileiras do suco de laranja brasileiro não somente no Oriente Médio, mas também na África. "Acredito que vai nos ajudar a cobrir essa defasagem que existe hoje. Países como Nigéria, Argélia, Marrocos, África do Sul, Senegal e Angola são mercados que devem ter um crescimento futuro. É a próxima onda, como a gente chama", declarou.
Em 2009, os Estados Unidos, maior comprador individual do suco de laranja concentrado brasileiro, foram responsáveis por apenas 13% das importações da bebida nacional, valor que já chegou a 33% na década de 70.
Para se ter uma ideia, apenas no período de 2003 a 2009, o consumo de suco de laranja caiu 6% nos 40 maiores mercados compradores do Brasil. Neste ranking, atrás dos Estados Unidos estão, por ordem, Alemanha, França, Reino Unido e Canadá.
Para Marcos Fava Neves, coordenador do Programa de Agronegócios da Universidade de São Paulo, que desenvolveu um extenso estudo sobre o mercado de citricultura no Brasil, algo que o país precisa para superar a crise do setor é desenvolver novos mercados. A safra nacional de suco de laranja de 2009/2010 foi exportada apenas para 70 países.
Outro ponto abordado no evento relativo às exportações foi a questão da taxa de câmbio. Para o ex-ministro da Fazenda Delfim Netto, a questão é crucial para o aumento das vendas externas do suco de laranja. “A luta interna do setor não pode ser resolvida sem que você tenha a taxa de juro na posição certa”, afirmou.
Em 2010, espera-se que as exportações brasileiras do setor de citrus seja de US$ 2 bilhões. De acordo com o estudo desenvolvido por Neves, se a taxa de câmbio fosse de US$ 1 para R$ 2,32, o setor arrecadaria R$ 760 milhões a mais por ano. Atualmente, a taxa de câmbio tem girado em torno de R$ 1,70 para cada dólar.

