Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – As exportações da indústria paranaense para os países árabes totalizaram US$ 397 milhões entre janeiro e setembro deste ano, o que significa um aumento de 2,8% em relação ao mesmo período de 2004, quando as vendas para a região ficaram em US$ 386 milhões. Entre janeiro e dezembro do ano passado foram registradas vendas de US$ 498 milhões para o Oriente Médio e Norte da África.
Um dos destaques no levantamento apresentado pelo Centro Internacional de Negócios (CIN), da Federação das Indústrias do Paraná (FIEP), é o incremento de 121% das vendas para a Jordânia, que subiram de US$ 3 milhões para US$ 6,6 milhões. O principal item comprado do Paraná pelos importadores jordanianos foi carne de frango, com expansão de 124%. Outro dado relevante é o crescimento de 102% do comércio com o Egito, que aumentou, no período, as encomendas de açúcar, carne bovina e óleo de soja.
Segundo analistas do CIN, o incremento do comércio paranaense com o Oriente Médio e Norte da África é reflexo da política do governo brasileiro, que vem buscando uma diversificação de mercados para a produção nacional. Nesta estratégia, os países árabes assumem posição de destaque. Totalizando 360 milhões de consumidores, são considerados simpáticos ao Brasil, que mantém com a região uma histórica relação de amizade e é território de acolhida para milhares de imigrantes e terra natal de seus descendentes.
"Sem dúvida, o mercado árabe representa não apenas um mercado importante para a nossa indústria, mas oferece uma grande perspectiva de crescimento", observa Ardisson Nahim Akel, coordenador do Conselho de Comércio Exterior da FIEP. "A Liga Árabe tem alguns países com superávit em relação ao Brasil, mas são grandes importadores de produtos, especialmente gêneros alimentícios. O Paraná, como grande produtor de alimentos, pode se valer disso".
Contudo, as possibilidades de comércio podem ir além dos bens de origem agropecuária. Nos últimos dez anos o parque industrial paranaense se diversificou, o que permite antever novas oportunidades. "Há condições para diversificar a nossa pauta", arremata Akel, que cita o pólo automotivo instalado em torno de Curitiba como exemplo. À Volvo – que produz caminhões e ônibus na capital desde 1975 – e à Ford/New Holland – que fabrica tratores – somaram-se na década de 90 a Renault e a Volkswagen/Audi, além de centenas de indústrias de autopeças. "São marcas conhecidas na região (países árabes)", destaca Akel.
Países como o Iraque e a Palestina, que necessitam urgentemente melhorar e ampliar sua infra-estrutura, também surgem como potenciais clientes do Paraná. O dirigente da FIEP lembra que o estado pode se constituir em importante fornecedor de material de construção, especialmente portas, caixilhos e esquadrias de madeira. Em Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, acrescenta ele, está localizado um pólo produtor de louça e cerâmica, igualmente necessárias neste esforço de reconstrução nacional.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

