Isaura Daniel
São Paulo – A indústria foi uma das principais bases do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil no primeiro semestre deste ano. O PIB cresceu 3,4% se comparado aos primeiros seis meses do ano passado, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O desempenho da indústria foi 4,4% superior no período.
O setor industrial que mais contribuiu para o resultado, de acordo com a economista do Departamento de Contas Nacionais do IBGE, Cláudia Dionísio, foi o de extração mineral, principalmente de carvão e petróleo. "A Petrobras colocou duas novas plataformas em funcionamento", explica a economista. A companhia petrolífera teve no primeiro semestre receita líquida de R$ 62,2 bilhões, 22% maior do que nos mesmos meses de 2004. A indústria de extração mineral como um todo cresceu 10,6% no período.
Os números divulgados pelo IBGE apontam que o melhor resultado, no semestre, ocorreu no segundo trimestre do ano. De abril a junho, o PIB do país cresceu 3,9%. A indústria cresceu 5,5%. "A economia brasileira retomou o crescimento no segundo trimestre do ano", afirma o economista coordenador da Unidade de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco.
No segundo trimestre também o destaque ficou por conta da indústria de extração mineral, cujo desempenho foi 17,5% superior ao dos mesmos meses de 2004. Foi a taxa mais alta registrada no segmento desde o quarto trimestre de 2000.
A indústria acabou puxando para cima também os setores de comércio e transporte, de acordo com a economista do IBGE. O Produto Interno Bruto do comércio cresceu 4% no primeiro semestre e 3,8% no segundo trimestre. O setor de transportes teve desempenho 3,9% maior no semestre e 4% no trimestre. "Se a indústria cresce, aumenta o transporte (de mercadorias) e o comércio vende mais", diz Cláudia Dionísio. O comércio inclui varejo e atacado.
Mais investimentos
De acordo com a economista do IBGE, os dados da pesquisa também mostram que os investimentos estão ocorrendo no país. A informação é embasada no crescimento da construção civil, que cresceu 2,2% no semestre e 3,7% no trimestre. Também as importações de bens e serviços cresceram 12,5% no semestre, o que indica aumento das compras de máquinas e equipamentos. Cláudia Dionísio afirma os investimentos foram favorecidos pelo esforço de oferta de crédito por parte de instituições financeiras como Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Após a divulgação da pesquisa do IBGE, a Confederação Nacional da Indústria divulgou uma nota na qual o presidente da entidade, Armando Monteiro Neto, afirma que os resultados são "positivos e auspiciosos". "Os dados nos autorizam a manter a previsão de que o crescimento do PIB será superior a 3% e o desempenho da indústria poderá ficar próximo a 5% neste ano", afirma.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Luiz Fernando Furlan, falou ontem que o PIB do país deve crescer acima dos 4% em 2005. No acumulado dos últimos doze meses, o Produto Interno Bruto brasileiro aumentou em 4,3%.

