Isaura Daniel
São Paulo – Apesar de ter uma indústria têxtil forte, o Brasil importa confecções do mundo árabe. Nos dez primeiros meses deste ano, o varejo nacional adquiriu US$ 3,28 milhões em roupas dos países que formam a Liga Árabe. O valor não é muito alto, mas significa um acréscimo de 122% sobre o mesmo período de 2005. Entre janeiro e outubro do ano passado, o Brasil havia importado US$ 1,478 milhões em confecções da região.
Os árabes não são tradicionais fabricantes de roupas. Alguns países do Norte da África e Oriente Médio, porém, têm indústrias voltadas para o setor. Segundo o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, entre os principais fabricantes árabes de confecções estão Marrocos, Síria, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos e Tunísia. Os egípcios e tunisianos têm, inclusive, reconhecimento internacional no segmento.
O Brasil importa dos árabes tipos variados de roupas. Na lista da Secretaria de Comércio Exterior estão calças, mantos, vestidos, camisas, sobretudos, blazers, suéteres, paletós, saias, roupas para bebês, conjuntos femininos, camisetas, xales, calções, camisolas, pijamas, roupas de banho femininas e masculinas, ternos, roupões, roupas íntimas masculinas e femininas, tailleurs, conjuntos esportivos e gravatas.
As calças, femininas e masculinas, respondem por mais da metade de tudo o que o Brasil comprou em confecções do mundo árabe entre janeiro e outubro: US$ 1,9 milhão. Elas foram adquiridas por preços médios variados, desde US$ 0,54 até US$ 99. As mais baratas vieram dos Emirados. De acordo com Alaby, muitas empresas chinesas fazem o acabamento dos seus produtos no país árabe. Os Emirados também são grandes reexportadores de produtos de outros países, inclusive da China.
Grande parte das calças importadas pelo Brasil dos árabes – US$ 744 mil – veio dos Emirados Árabes Unidos. O país também gastou US$ 761 mil com importação de calças do Marrocos e US$ 414,5 mil da Tunísia. As demais foram compradas da Jordânia e do Egito. A Tunísia tem uma atuação forte no setor de confecção já que há um grande número de fábricas européias do setor instaladas no país. Elas fabricam seus produtos em território tunisiano e os exportam para a própria União Européia, com a qual o país árabe tem acordo de livre comércio, e também para outras regiões do mundo.
O secretário-geral da Câmara Árabe acredita que parte das roupas importadas pelo Brasil do mundo árabe também seja destinada para a conservação de hábitos religiosos. Os mantos, de fato, aparecem várias vezes na lista de produtos têxteis comprados pelo Brasil dos árabes. Imigrantes e descendentes de árabes muçulmanos que vivem no país costumam preservar as tradições islâmicas. Boa parte das mulheres usa o xador, que é a vestimenta escura que cobre o corpo feminino, composta por vestido e manto para os cabelos.

