Geovana Pagel
São Paulo – O setor têxtil brasileiro, que conta atualmente com 30 mil empresas, vive um importante período de crescimento impulsionado principalmente pelas vendas externas. O desempenho é resultado da manutenção de mercados tradicionais e da busca de novos destinos como os países do Oriente Médio e norte da África.
Até o final de 2004, a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) prevê receitas de US$ 2 bilhões com o comércio internacional. No mês de outubro as exportações brasileiras da indústria têxtil registraram US$ 223 milhões. O resultado apresentou um aumento de 28,6% em relação ao mesmo mês do ano passado.
No período de janeiro a outubro de 2004, as exportações do setor atingiram US$ 1,67 bilhão. O aumento foi de 26,3% quando comparado ao mesmo período do ano passado. A balança comercial da indústria têxtil já acumula superávit de US$ 498 milhões.
A moda praia é o principal destaque. O segmento já faturou US$ 18,75 milhões em produtos exportados no período de janeiro a outubro. Esse resultado supera todo o volume de 2003, de US$ 13 milhões, e representa um crescimento de 77% se comparado ao mesmo período de 2003.
Estados Unidos, Argentina, Chile, Colômbia, Alemanha e Portugal foram os principais países de destino das vendas externas de produtos têxteis no mês de outubro. Houve crescimento expressivo para a Ásia (120%), Oceania (67%) e Espanha (82%).
As exportações do setor têxtil para os países da Liga Árabe também registraram aumento nos primeiros dez meses no ano. Passaram de US$ 13,4 milhões para US$ 14,7 milhões, um aumento de cerca da 10%. "O mercado árabe está sendo desbravado e só tem a crescer. Algumas empresas brasileiras até já instalaram lojas na região", comentou o diretor da Abit, Fernando Pimentel.
Segundo ele, a aproximação entre brasileiros e árabes foi impulsionada pela visita do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, a cinco países do Oriente Médio e Norte da África, em dezembro de 2003.
De acordo com Pimental, o aumento das exportações no geral também é resultado do movimento de modernização da indústria têxtil. O setor investiu aproximadamente US$ 1 bilhão por ano, nos últimos oito anos, com a meta de alcançar US$ 4 bilhões em exportações até 2008 e voltar a responder por 1% do comércio têxtil mundial, participação que detinha na década de 1980.
As exportações brasileiras representa apenas cerca de 0,5% do comércio mundial de produtos têxteis, que atualmente fatura cerca de US$ 360 bilhões. “Somos uma parcela pequena do mercado mundial, porém temos muitas possibilidades”, garantiu.
Internacionalização
De acordo com Pimentel, a visão das vendas externas como meio de desenvolvimento e não apenas alternativa para períodos de crise no mercado interno passou a fazer parte do planejamento das maiores empresas do setor em 1999. Naquele ano as exportações do setor eram de US$ 1 bilhão. “O progresso neste período de cinco anos foi muito marcante. As exportações dobraram”, comemora Pimentel referindo-se à previsão de fechar o ano de 2004 com receita de US$ 2 bilhões.
Num segundo momento, explica o executivo, a internacionalização da marca Brasil passou a ser uma decisão estratégica. O trabalho foi feito com o apoio do governo federal, principalmente por meio da Agência de Promoção das Exportações do Brasil (Apex). “A partir disso as empresas começaram a desbravar novos mercados, promover eventos internacionais (no Brasil) e participar de feiras no exterior”, contou.
Na avaliação de Pimentel, o setor tem condições de crescer em média 20% ao ano até 2006, “porém para isto ocorrer é preciso que o país firme acordos internacionais importantes, como a ALCA (Área de Livre Comércio das Américas) e Mercosul/União Européia, para valorizar o acesso a novos mercados”, ressaltou. “E, é claro, seguir investindo na internacionalização das marcas e na participação em feiras internacionais”, completou.
Fim das cotas
Depois de 40 anos, a proteção ao setor têxtil no mundo acaba em 2005, com o fim do último dos acordos, o Acordo de Têxteis e Vestuários (ATV), baseado em cotas. Pelo sistema, alguns países, como Estados Unidos, só liberavam a importações de determinadas quotas de produtos têxteis, o que mantinha suas indústrias protegidas e impedia uma invasão de importados.
De acordo com Pimentel, analistas do mundo todo afirmam que a China e a Índia serão os maiores ganhadores, em um prazo curto e médio. Já quem mais perde são os países que em sua origem tem indústrias desenvolvidas com base em um mercado regulado por cotas.
“O Brasil neste contexto não tem cotas, nem será invadido por produtos da China e Índia, como na década de 1990, porém vai precisar estabelecer acordos internacionais com urgência”, voltou a insistir.
Mais de 9 mil empregos
O crescimento da indústria têxtil nacional é acompanhado pelo aumento do número de postos de trabalho. Dados do ministério do Trabalho e Emprego (MTE) revelam que a cadeia têxtil contratou, em outubro deste ano, mais de 9,6 mil novos trabalhadores. No acumulado do ano, o saldo total de empregos gerados, descontadas as demissões, alcança 76.440 vagas adicionais.
Em termos comparativos, o saldo do emprego da cadeia têxtil cresceu 384% nos dez primeiros meses de 2004, frente ao mesmo período de 2003, quando 15.779 vagas foram abertas.
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