Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – As indústrias brasileiras estão investindo no aprimoramento da gestão. A conseqüência da adoção de novos processos, programas de computador e equipamentos tem sido a melhoria do resultado financeiro. Pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) revela que de 22.700 indústrias pesquisadas em todo o país e que afirmaram investir em inovação, 30%, ou cerca de 6.800, tiveram aumento de 40% ou mais no seu faturamento.
O levantamento do IBGE mostrou que, do total de companhias que investem em gestão, 71% (ou aproximadamente 16.100) ampliaram o seu mercado. "Isso comprova que inovação dá resultado e um resultado satisfatório", observou o professor e consultor de empresas Délcio Roberto dos Reis.
Empresas que inovam ampliam a possibilidade de alcançar posição de destaque no seu segmento de atuação ou de mantê-la. Um dado que comprova a estreita relação entre inovação e liderança é a participação das empresas inovadoras na receita global das indústrias brasileiras. Do universo pesquisado, 1.199 companhias que afirmam investir em inovação e diferenciação de produto (1,7% do total) respondem por 26% do faturamento do setor industrial.
Exemplo – A Cooperativa Agrícola Consolata, mais conhecida como Copacol, do Oeste do Paraná, foi apresentada como case de inovação bem-sucedida. Um dos motivos de ter alcançado faturamento anual de US$ 302 milhões foi a adoção de um software (ERP) que melhorou o controle de informações e agilizou o processamento de dados administrativos e comerciais. "Em termos estratégicos, conquistamos um avanço tecnológico importante e uma melhoria significativa na gestão da empresa", conta Donizeti José Diniz, supervisor da área de Tecnologia da Informação da cooperativa.
De acordo com o executivo, contudo, não adianta aplicar uma nova tecnologia ou estabelecer novos processos produtivos de forma isolada, numa decisão tomada e aplicada de cima para baixo. "É importante o comprometimento da organização", salientou. Fundada em 1963, a Copacol tem 4.300 associados e um número igual de funcionários. Do seu faturamento, cerca de 20% (ou US$ 60 milhões) vem das exportações. A cooperativa recebe, por ano, 414 mil toneladas de cereais.

