Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – As indústrias do Paraná querem se inserir de forma competitiva no mercado internacional. Por isso, estão investindo cada vez mais em pesquisa e desenvolvimento (P&D). De acordo com a VIII Sondagem Industrial, realizada entre empresas localizadas no estado e publicada pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), 48,86% das empresas fazem da P&D próprios uma política de aprimoramento tecnológico. Do universo pesquisado, 73% se consideram atualizadas tecnologicamente.
Um exemplo dos frutos que a busca de novos processos e produtos pode gerar é a Bematech, indústria de Curitiba que há 14 anos fabrica máquinas para automação comercial, como impressoras fiscais, de etiquetas, leitores de códigos de barras e de documentos, entre outros itens. Hoje ela conta com subsidiárias nos Estados Unidos e Taiwan, escritório comercial na Inglaterra e oito filiais pelo Brasil. O faturamento anual está em torno dos US$ 40 milhões e o seu market share é de 63%, conquistado à base de constante inovação tecnológica.
Investir em P&D, para qualquer empresa, significa ampliar as oportunidades. "É fundamental", destaca Marcelo Coppla, diretor de Marketing da Bematech. A companhia, que destina em média 5,5% do seu faturamento anual para P&D – ou US$ 2 milhões apenas em 2003 – mantém um corpo de 31 pesquisadores. Entre eles, engenheiros mecânicos, elétricos e um físico. Do grupo, dois são mestres que obtiveram o título no exterior e oito estão fazendo especialização.
A Nutrimental, que atua no ramo de alimentos industrializados, é outro caso de empresa voltada para a inovação. O seu Centro de Pesquisas foi montado em 1978 e tem sido responsável por um sem número de novidades. Foi a companhia que lançou no Brasil, nos idos de 1992, a barra de cereais, hoje um alimento disseminado entre os esportistas, tanto profissionais quanto amadores.
A preocupação constante com a novidade permitiu à Nutrimental conquistar prêmios nacionais e internacionais, um reconhecimento pelo esforço despedido em P&D. Em 1990 ela recebeu o Prêmio Inovação Tecnológica, da Sociedade Brasileira de Ciência e Tecnologia de Alimentos/FAO. Em 2002 foi agraciada com o FI South America Award pelo desenvolvimento de uma barra de cereais salgada, considerada "Produto Alimentício Mais Inovador".
Tendência
Os casos da Bematech e da Nutrimental não são isolados. Segundo a publicação Indicadores de Ciência, Tecnologia e Inovação no Brasil, lançada em 2003 pela Universidade de Campinas, em 2000 o setor privado nacional investiu R$ 4,37 bilhões na pesquisa de novos processos, produtos e serviços, ou 1,05% do PIB. Com este montante, respondeu por 40% dos gastos em P&D no País – os outros 60% vieram do setor público.
"Apesar da inexistência de estatísticas confiáveis para os anos anteriores a 2000, estimamos que desde o início da década de 1990 o Brasil tenha praticamente dobrado os investimentos em P&D, em proporção ao PIB, sendo que os de origem privada foram os que mais cresceram, proporcionalmente", diz a economista Gina Guineli Paladino, diretora executiva do Instituto Euvaldo Lodi (IEL) do Paraná. De acordo com ela, estes dados revelam, inequivocamente, uma evolução. "Estamos muito próximos dos índices da Espanha, Portugal e China", observa.
E isso não ocorre apenas com as empresas locais. De acordo com a edição deste ano do Relatório Mundial de Investimentos, elaborado pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), as empresas multinacionais estão cada vez mais instalando unidades de pesquisa em países em desenvolvimento.
Um dos casos citados pela no estudo é o da General Motors do Brasil, que criou um centro de P&D em São Caetano do Sul e hoje compete com outras unidades da GM espalhadas pelo mundo pelo desenvolvimento dos carros da marca. (Colaborou Alexandre Rocha)
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

