Da Agência CNI
Brasília – As indústrias brasileiras continuam otimistas com relação ao crescimento da demanda nos próximos seis meses, revela a Sondagem Industrial do terceiro trimestre, divulgada hoje (30) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). O indicador que mede a expectativa do empresariado sobre as vendas nos próximos meses ficou em 59,4 pontos em outubro.
De acordo com o gerente-executivo da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, o indicador está alto porque o mercado doméstico continua com um ritmo de crescimento elevado, próximo aos 6% ao ano, e deve se manter assim por mais algum tempo. "Ainda existe uma lua-de-mel do Brasil com o mercado internacional, ou seja, a economia brasileira vai bem", avaliou.
O economista Paulo Mol, também da CNI, recordou que a demanda interna tem crescido mês a mês sustentada pela oferta de crédito. "Por isso, setores como o automotivo e os demais de bens de consumo vão bem e puxam a demanda, porque existe crédito", disse Paulo Mol.
Mas os dois economistas alertaram: a interrupção da queda das taxas de juros pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central na última reunião, nos dias 16 e 17 deste mês, podem arrefecer esse ciclo. "Com os juros parando de cair, o crédito pode não se sustentar e a demanda interna pode sofrer um baque", afirmou Paulo Mol.
Apesar disso, os dois avaliaram que o indicador de expectativa de demanda para os próximos seis meses está alto, principalmente levando em consideração o fato de que engloba os três primeiros meses de 2008. "É natural acontecer uma acomodação, ainda mais que a sazonalidade de começo de ano é desfavorável. Mas o indicador está alto, o empresário está otimista quanto à demanda", observou Castelo Branco.
Tanto que o dado de outubro não é tão menor do que o verificado em julho, quando o empresariado está de olho nas vendas de fim de ano, o melhor período para a indústria. Em julho, o indicador foi de 60,7 pontos. Paulo Mol ressaltou que a expectativa de a demanda se manter em alta puxou para cima também a perspectiva de contratação de funcionários.
Segundo a Sondagem, a expectativa de contratação ficou em 53 pontos em outubro, 0,2 ponto abaixo do avaliado em julho. "A contratação deve ser generalizada na indústria, uma vez que os três portes de empresas responderam que devem contratar."
A pesquisa mostra que entre as pequenas empresas o indicador foi de 52,9 pontos em outubro, 0,1 ponto acima do de julho; foi de 52,6 pontos entre as de médio porte, ante 52,3 pontos em julho; e de 53,3 pontos entre as grandes empresas, na comparação com 54,2 pontos em julho.

