São Paulo – A 44ª edição da Feira Internacional de Argel, principal evento argelino de negócios, será realizada de 01 a 06 de junho na capital da Argélia. As inscrições para as empresas interessadas em expor vão até o dia 15 de abril. "Esse evento constitui passagem obrigatória para as empresas estrangeiras que prospectam o mercado argelino, e também os países vizinhos, em busca de uma parceria ou de negócios interessantes”, disse à ANBA, por e-mail, o embaixador do país árabe em Brasília, Djamel Eddine Bennaoum.
Como a mostra é multissetorial, ele destacou as oportunidades abertas pelo segundo plano quinquenal de desenvolvimento, lançado pelo governo argelino, com vigência de 2010 a 2014, que prevê investimentos de US$ 286 bilhões em várias áreas, sendo US$ 130 bilhões em empreendimentos já iniciados, principalmente em ferrovias, rodovias e abastecimento de água; e US$ 156 bilhões em projetos novos.
Bennaoum citou exemplos de iniciativas que fazem parte desse programa, como a criação de 5 mil estabelecimentos educacionais, 600 mil vagas em universidades, 400 mil vagas em alojamentos universitários e 300 unidades de ensino profissional; mais 1,5 mil estabelecimentos de saúde, entre eles 172 hospitais, 45 complexos de especialidades, 377 policlínicas e mais de 70 unidades voltadas ao atendimento de deficientes; além da construção de 2 milhões de unidades habitacionais, sendo que 1,2 milhão devem ser entregues até o fim do quinquênio; a ligação de um milhão de lares à rede de gás natural e de 220 mil propriedades rurais à rede de energia elétrica.
Na seara do abastecimento de água, setor crítico no país, que tem 70% de sua área coberta pelo deserto do Saara, o embaixador informou que o plano inclui a construção de 35 barragens e 25 sistemas de distribuição, além da instalação de usinas de dessalinização de água do mar.
Ele acrescentou que 40% do orçamento do programa é destinado ao setor de infraestrutura de base e ao desenvolvimento dos serviços públicos. Um dos objetivos do plano, de acordo com Bennaoum, é combater o desemprego. O governo estabeleceu a meta de criação de três milhões de postos de trabalho em cinco anos.
O embaixador ressaltou que os indicadores macroeconômicos da Argélia são positivos. Segundo ele, o país cresceu 4% no ano passado, a inflação ficou em 3,34%, a taxa de desemprego foi de 10% e as reservas em moeda estrangeira chegaram a US$ 150,3 bilhões. “Vale destacar também que a Argélia saldou quase toda a sua dívida externa em 2006”, afirmou.
As exportações do Brasil ao mercado argelino estão também em crescimento. De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), os embarques renderam US$ 396,3 milhões no primeiro trimestre deste ano, um aumento de 238% em comparação com o mesmo período de 2010. O país ficou em terceiro lugar entre os principais destinos das mercadorias brasileiras, atrás apenas da Arábia Saudita e do Egito.
Na outra mão, a Argélia foi o segundo maior fornecedor do Brasil, entre os países árabes, nos primeiros três meses de 2011. Atrás somente da Arábia Saudita. As importações somaram US$ 471,8 milhões, uma redução de 29% em relação ao primeiro trimestre do ano passado. A balança comercial entre as duas nações tem um déficit histórico para o lado brasileiro.
Evento
A feira será mais uma vez realizada no Palais des Expositions de Argel, que ocupa uma área de 68 hectares, com 50 mil metros quadrados cobertos e 25 mil metros quadrados descobertos de espaço de exibição. Para Bennaoun, a mostra não deve receber menos do que os 200 mil visitantes registrados no ano passado.
Na edição de 2010, segundo ele, o evento teve a participação de 835 expositores estrangeiros de 43 países, sendo seis das Américas (Estados Unidos, Canadá, Brasil, Argentina, Cuba e Chile). Os maiores pavilhões na última edição foram os da China, Itália e França.
Na seara social e política, a Argélia teve protestos populares no início de 2011. O embaixador destacou, porém, que a situação no país hoje está calma e que as manifestações ocorreram principalmente por causa do aumento do preço de alimentos. “A ocorrência de problemas em outros países árabes no mesmo período não é mais do que pura coincidência e não há nenhuma ligação com a Argélia. O fim do estado de emergência instaurado em 1992 é outra prova da estabilidade do país”, declarou Bennaoum.
Em fevereiro, após os protestos que resultaram em cinco mortes, o governo argelino anunciou medidas como a isenção de impostos sobre o açúcar e óleos comestíveis, com o objetivo de baixar os preços, e levantou o estado de emergência que estava em vigor desde 1992.
Mais informações
Site da feira (é possível fazer a inscrição online)
www.fiasafex.com
Embaixada da Argélia em Brasília
Tel.: (61) 3248-4039 / 1949
E-mail: sanag277@terra.com.br

