Isaura Daniel, enviada especial
Novo Hamburgo – O Brasil deve passar a ser um dos fornecedores de componentes de calçados da Tunísia. “Acredito que os empresários tunisianos vão começar a comprar do Brasil”, disse ontem (05) o diretor da Federação Nacional do Couro e Calçados da Tunísia (FNCC), Salem Fekih, que está no Brasil participando da Feira Internacional de Couros, Químicos, Componentes e Acessórios, Equipamentos e Máquinas para Calçados e Curtumes (Fimec), que começou ontem em Novo Hamburgo. Fekih crê que os primeiros negócios ocorrerão já durante a mostra, que segue até sábado.
Ontem, também durante a Fimec, foi oficializado um acordo que tem por objetivo justamente aumentar as parceiras e as trocas comerciais entre indústrias de calçados e curtumes da Tunísia e fabricantes brasileiros de componentes do setor. O tratado, assinado pelo vice-presidente da FNCC, Mustapha Abdelhedi, e o presidente da Assintecal, Luis Amaral, prevê também troca de informações e apoio para realizações de missões e participação em feiras em cada um dos países. “Um país dará respaldo ao outro”, diz Amaral.
A Tunísia já importa couro do Brasil, mas de acordo com Fekih, em quantidades muito pequenas. Os grandes exportadores de componentes para calçados da Tunísia são os europeus, mas o país árabe, segundo o diretor, quer diversificar os seus fornecedores. O país possui curtumes, mas não em volume satisfatório para atender a indústria de calçados. Existem na Tunísia ao redor de 20 curtumes e mais de 200 fábricas de calçados, além de 50 indústrias de artefatos de couro e 31 de roupas de couro.
De acordo com o diretor da FNCC, os tunisianos do setor de calçados sabem que o Brasil produz couro, mas não têm muitas informações sobre a fabricação de outros componentes e dos próprios calçados. “Não sabia que o Brasil tinha indústrias tão grandes neste setor”, diz. Fekih afirma que os preços dos componentes brasileiros são “interessantes” para a Tunísia. O tunisiano afirma que agora os brasileiros do setor também precisam visitar o país árabe para conhecer as indústrias locais.
Essa também é uma sugestão do vice-presidente de Marketing da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Rubens Hannun, que é cônsul honorário da Tunísia em São Paulo. “Seria bom os brasileiros irem para lá para conhecer o mercado, visitar as empresas”, diz. Hannun participou da oficialização do acordo, já que as primeiras conversas sobre o tema surgiram no Conselho Empresarial Brasil-Tunísia, que é representado no Brasil pela Câmara Árabe. O organismo tem por objetivo aproximar empresários dos dois países.
“Agora os negócios devem começar a andar”, diz Hannun, sobre os passos que devem ocorrer após a assinatura do acordo. O cônsul acredita que com essa vinda ao Brasil, os tunisianos começam a ter mais informações sobre o país, algo essencial para a aproximação comercial. Hannun acredita também que as parceiras entre tunisianos e brasileiros do setor de couro e calçados, como a formação de joint-ventures, trarão benefícios para os dois países.

