São Paulo – As intenções de investimento direto estrangeiro (IDE) caíram na região do Mediterrâneo, segundo um estudo da Anima-Mipo (Mediterranean Investment Project Observatory), braço de pesquisa da agência de investimento da região. O levantamento, que leva em conta planos de investidores para Tunísia, Egito, Síria, Líbia, Líbano, Jordânia, Israel, Turquia, Argélia e Marrocos, aponta um recuo no número de projetos anunciados no primeiro semestre deste ano.
Nos primeiros seis meses de 2010 foram divulgados 430 projetos com capital estrangeiro, enquanto no mesmo período deste ano foram 322. O total do ano passado foi de 838 projetos. Já em receitas, os planos dos investidores para o primeiro semestre de 2011 avançaram um pouco, com 15,2 bilhões de euros, contra 14,5 bilhões de euros no mesmo período de 2010 e 38 bilhões de euros no ano passado todo.
De acordo com a Anima-Mipo, a queda no número de projetos é efeito das revoltas na região, o que levou o IDE, em alguns países, aos mesmos patamares de 2009, na crise financeira internacional. O recuo, diz o estudo, é substancial na Tunísia, Egito, Líbano, Líbia, Síria e Jordânia. O quadro é estável na Argélia e há algum avanço, afirma a Anima-Mipo, no Marrocos, Israel e Turquia.
Na Tunísia e Egito o recuo na intenção estrangeira de investimento foi de cerca de 40%. Mesmo assim, houve anúncio de IDE na região, como no setor de petróleo e gás tunisiano por parte da austríaca OMV, da companhia italiana ENI e do grupo britânico BG Group. Números divulgados pela Agência de Promoção de Investimento Estrangeiro (Fipa) da Tunísia mostram que a situação começou a melhorar no país em julho. No Egito dez projetos foram anunciados em junho.
Na Líbia nenhum projeto foi detectado desde a metade de janeiro deste ano, quando o Qatar National Bank (QNB) adquiriu ações de instituições do país, como do Banco de Desenvolvimento local. Na Síria, desde o início dos protestos, em março, a situação é semelhante, o que resultou em queda de 80% nos anúncios de investimento direto estrangeiro do semestre. Na Jordânia a intenção de investir caiu 60% e no Líbano 40%. Na Argélia a situação é estável, mas a base de comparação é baixa, pois o país teve um início de 2010 ruim.
Entre os países árabes da região, o Marrocos se destaca. Houve aumento de 23% na intenção de IDE. A nação atrai o terceiro maior número de projetos, atrás apenas da Turquia e Israel. No total, os estrangeiros, de janeiro a junho deste ano, anunciaram intenção de investir 500 milhões de euros no Marrocos. A Turquia é líder no ranking, com 79 projetos e 5 bilhões de euros. Juntos, Turquia e Israel atraem 60% do investimento estrangeiro direto na região pesquisada.

