São Paulo – O fluxo mundial de investimentos direitos estrangeiros (IDE) caiu 16% em 2014 em relação a 2013, para US$ 1,232 trilhão, segundo o Relatório Mundial de Investimentos divulgado nesta quarta-feira (24) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), em Genebra, na Suíça. Os países em desenvolvimento receberam mais recursos externos do que os ricos, mas tanto nações árabes como da América do Sul receberam menos IDE. Segundo a Unctad, em 2014 houve menos aportes de recursos devido à fragilidade da economia global, incertezas políticas e riscos geopolíticos.
O documento afirma que a China ultrapassou os Estados Unidos e foi o país que recebeu mais investimentos externos em 2014, seguida por Hong Kong e pelos norte-americanos. Os países em desenvolvimento receberam US$ 681 bilhões, um aumento de 1,6% sobre 2013. Já os investimentos estrangeiros nas economias desenvolvidas caíram 28,4%, para US$ 499 bilhões. A Unctad afirma que uma operação de desinvestimento feita pela britânica Vodafone na norte-americana Verizon afetou o resultado das nações ricas.
Caiu também o IDE nas economias em transição, que reúnem os países do Sul da Europa, como Romênia, Bulgária, Albânia, Sérvia e Moldova e da Comunidade dos Estados Independentes (ex-repúblicas soviéticas). A África manteve os US$ 54 bilhões recebidos em 2013.
A Unctad afirmou que metade dos dez países que mais receberam investimentos externos no ano passado são economias em desenvolvimento e que nove dos 20 maiores investidores também pertencem a este grupo. Brasil, China, Hong Kong, Rússia e Cingapura foram as nações em desenvolvimento que mais receberam recursos. Chile, China, Hong Kong, Taiwan, Kuwait, Malásia, Coreia do Sul, Rússia e Cingapura foram os países emergentes listados entre os maiores investidores.
Oriente Médio
A região “Ásia Ocidental”, que reúne países árabes e não árabes do Oriente Médio, manteve no ano passado a tendência de queda como destino de investimentos pelo sexto ano seguido. Em 2014, países da região receberam US$ 43 bilhões em recursos do exterior, com redução de 4% em comparação a 2013.
A Turquia foi o principal destino. Ela manteve os US$ 12 bilhões recebidos em 2013, assim como os Emirados Árabes Unidos, que receberam os mesmo US$ 10 bilhões em 2013 e em 2014. Arábia Saudita, Iraque e Líbano completam a lista dos cinco principais destinos dos recursos na região. Kuwait, Catar, Turquia, Arábia Saudita e Emirados, foram, por sua vez, os principais investidores.
“O contínuo declínio no fluxo de investimento estrangeiro desde 2009 decorre de uma sucessão de crises que atingiram a região, começando com o início da crise econômica global, que foi rapidamente seguida pela erupção de agitações políticas que se espalharam pela região e, em alguns países, evoluíram para conflitos. Isso está reduzindo o investimento estrangeiro não apenas nos países diretamente afetados, como Iraque, Síria e Iêmen, mas também nas nações vizinhas e em toda a região”, afirma o documento.
América Latina
Após quatro anos de crescimento como receptores de investimentos diretos estrangeiros, os países da América Latina e do Caribe receberam 14% menos recursos externos em 2014, com um total de US$ 159 bilhões. A queda foi maior entre as nações do Caribe: redução de 36%, para US$ 39 bilhões. Na América do Sul, a redução foi de 4%, para US$ 121 bilhões. O desempenho do Caribe foi afetado pela redução de fusões e aquisições de empresas na região. Já a retração na América do Sul está relacionada ao menor investimento feito na indústria extrativista provocado pela queda no preço das commodities.
O Brasil foi principal receptor dos investimentos externos na América Latina e sexto no ranking mundial. Apesar de registrar queda de 2% na entrada desses investimentos, o país recebeu US$ 62 bilhões em 2014. A Unctad afirma que, no Brasil, houve grande queda dos investimentos externos no setor primário, porém, ampliação em áreas como manufatura e serviços.
A lista dos 20 países que mais receberam recursos em 2014 é formada, nesta ordem, por China, Hong Kong, Estados Unidos, Reino Unido, Cingapura, Brasil, Canadá, Austrália, Índia, Holanda, Chile, Espanha, México, Indonésia, Suíça, Rússia, Finlândia, Colômbia, França e Polônia.


