Brasília – A entrada de investimentos estrangeiros diretos no Brasil (IED) chegou a US$ 3,24 bilhões em julho e acumulou US$ 19,942 bilhões em sete meses. A projeção do Banco Central (BC) é de que o país receba US$ 35 bilhões no ano em IED.
De acordo com os dados divulgados na semana passada pelo BC, no ano passado a entrada de investimentos foi superior nos mesmos períodos. Em julho o total foi de US$ 3,613 bilhões e, no acumulado de janeiro a julho de 2007, de US$ 24,466 bilhões.
Os setores que mais receberam investimento estrangeiro direto, no ano, foram o metalúrgico (17,2%), serviços financeiros (14,8%) e extração de minerais (8,7%). O chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, destacou também os setores de atividades imobiliárias e construção de edifícios que indicam crescimento da participação de IED, apesar de não serem os que mais recebem esse tipo de investimento. Esses segmentos responderam por 4,6% e 4,2% da entrada de IED, respectivamente.
O saldo das transações correntes (todas as operações do Brasil com o exterior) de janeiro a julho ficou negativo em US$ 19,512 bilhões e foi o mais elevado para o período na série histórica do BC, iniciada em 1947. Nos últimos 12 meses o déficit foi de US$ 19,94 bilhões, o maior para o período desde março de 2002. Em julho, o saldo negativo de US$ 2,111 bilhões foi o maior para o mês desde 1997.
De acordo com Lopes, o motivo para esse resultado em julho é o aumento das remessas de lucros e dividendos de empresas filiais para as matrizes no exterior, elevação do pagamento de juros, característico do mês de julho, e aumento do déficit na conta de viagens internacionais.
Para Lopes, a expectativa é de desaceleração no déficit em conta corrente. A previsão é que em agosto o resultado negativo caia para US$ 1 bilhão. “Se esse resultado se concretizar, teremos desaceleração de pagamento líquido relativos a serviços, lucros e dividendos e o comportamento bom da balança comercial”, afirmou.
O chefe do Departamento Econômico do BC ressaltou que o déficit em conta corrente será financiado pelo IED, caracterizado pelo interesse duradouro do investidor no empreendimento. No mês de agosto, até quinta-feira passada (21), a entrada de investimentos diretos chegou a US$ 4,5 bilhões por influência de uma operação do setor de mineração. A expectativa do BC é fechar o mês em US$ 5,2 bilhões.

