São Paulo – Os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros diretos no Brasil somaram US$ 7,17 bilhões em junho, um aumento de 23% sobre o mesmo mês do ano passado, de acordo com dados divulgados nesta terça-feira (23) pelo Banco Central (BC). No acumulado do primeiro semestre, o total superou US$ 30 bilhões, um crescimento de 1% na comparação com o mesmo período de 2012.
O valor mensal é suficiente para cobrir o déficit em transações correntes de quase US$ 4 bilhões registrado em junho. Os investimentos estrangeiros diretos acumulados no semestre, porém, não são suficientes para financiar o saldo negativo em transações correntes do mesmo período, que ficou em US$ 43,5 bilhões, ou 3,82% do Produto Interno Bruto (PIB). O déficit semestral foi recorde.
De acordo com o BC, nos seis primeiros meses do ano a balança comercial teve resultado negativo de US$ 3 bilhões, a conta de serviços registrou déficit de US$ 22 bilhões e a conta de rendas, de US$ 19,77 bilhões.
Segundo informações da Agência Brasil, o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, afirmou que no primeiro semestre o maior crescimento da atividade econômica em relação a 2012 estimulou a demanda por bens e serviços externos.
Um dos fatores que contribuíram para o déficit em conta corrente foi o aumento dos gastos de brasileiros no exterior, que somaram quase US$ 2 bilhões em junho, o maior valor para o mês até hoje. No acumulado do ano, o total chegou a US$ 12,33 bilhões, número recorde para o período.
Isso ocorreu apesar da valorização do dólar frente ao real ao longo do primeiro semestre, o que em tese torna as passagens internacionais, serviços e compras no exterior mais caras para os brasileiros. Maciel declarou, de acordo com a Agência Brasil, que o efeito das mudanças no câmbio não é imediato, pois geralmente viagens internacionais são planejadas com antecedência. “Existe um prazo de planejamento e isso leva a certa defasagem nas despesas em relação às variações de câmbio”, disse.
Na mão contrária, os gastos de estrangeiros no Brasil ficaram em US$ 453 milhões em junho, contra US$ 462 milhões no mesmo mês de 2012. No primeiro semestre, o valor ficou em US$ 3,479 bilhões, ante US$ 3,471 bilhões nos seis primeiros meses do ano passado.
Segundo a Agência Brasil, Maciel afirmou que não foi observada “nenhuma alteração” nos dados de receitas de estrangeiros no País durante a Copa das Confederações, realizada em junho. “Não teve impacto visível”, disse.


