São Paulo – Os investimentos diretos estrangeiros (IDE) no Brasil vão bater novo recorde este ano. De janeiro a agosto, eles somaram mais de US$ 44 bilhões, segundo o Banco Central. O País, no entanto, não deve sair ileso das turbulências que atingem a economia internacional e em 2012 poderá sofrer desaceleração na entrada de recursos.
“Infelizmente o Brasil não poderá escapar desse contexto desfavorável”, disse à ANBA o presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet), Luis Afonso Lima. “Podemos estar melhores [do que outros países], mas vamos sofrer, talvez tardiamente, como em 2009”, acrescentou.
É que os investimentos realizados este ano geralmente dizem respeito a projetos anunciados anteriormente, ou seja, antes da piora da crise da dívida de nações europeias e do aumento do risco financeiro no mercado internacional.
Segundo a edição de setembro do Boletim da Sobeet, os anúncios de novos investimentos estrangeiros no Brasil vêm diminuindo nos últimos meses, o que já ocorre no mundo como um todo desde o começo de 2011. Os efeitos práticos disso serão sentidos no próximo ano.
“Os anúncios de IDE nos primeiros meses do segundo semestre tiveram queda significativa e isso é uma má notícia”, declarou Lima. “A intensidade da crise surpreende dia a dia”, observou.
Essa análise reflete a tendência identificada pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad, na sigla em inglês) na esfera mundial. Em documento divulgado nesta terça-feira (18), a organização destaca que, após forte crescimento do número de fusões e aquisições internacionais no segundo trimestre, “a repentina piora da crise da dívida na Europa e nos Estados Unidos no segundo semestre truncou o crescimento das vendas [internacionais de empresas] no terceiro trimestre e deverá reduzir o entusiasmo por grandes aquisições nos últimos três meses do ano”. Fusões, aquisições e novos empreendimentos são os principais tipos de IDE.
Para a Unctad, as incertezas do quadro atual já influenciaram negativamente, na esfera global, o volume de IDE do primeiro semestre para o segundo, refletindo a redução de novos anúncios que ocorre desde o começo do ano. Como no Brasil os anúncios só começaram a diminuir mais recentemente, a queda de fato da entrada de recursos deverá ocorrer somente em 2012.
“A conclusão que eu chego não é muito otimista, pelo contrário, é pessimista”, declarou Lima, ressaltando, porém, que, de modo geral, os países emergentes têm se saído melhor dos momentos de crise do que os desenvolvidos. O próprio fluxo global de IDE mostra isso. Hoje, o grupo das economias em desenvolvimento e em transição (ex-bloco soviético) recebe mais recursos do que o das nações ricas.

