Rio de Janeiro – Os financiamentos concedidos pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no ano passado, somados às contrapartidas das empresas, resultaram em investimentos totais de R$ 167,664 bilhões, garantindo a geração ou manutenção de 2,8 milhões de empregos no país. O empréstimo do banco corresponde, em média, a 60% dos recursos globais dos projetos aprovados.
Os dados divulgados na última sexta-feira (23) constam de pesquisa coordenada pelo engenheiro Roberto Oliveira, técnico da área de Planejamento do BNDES. Segundo Oliveira, o aporte de R$ 100 bilhões para o BNDES, anunciado quinta-feira (22) pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, terá um efeito multiplicador sobre o emprego gerado ou mantido pelos desembolsos do banco.
“Acreditamos que com esse aporte de recursos e com o crescimento da demanda, possivelmente a quantidade de empregos irá ultrapassar o número de 2008. Mas, não calculamos qual vai ser a estimativa”, disse.
Os desembolsos globais do BNDES atingiram cerca de R$ 91 bilhões em 2008, mostrando crescimento desde 2003, quando somaram R$ 33,53 bilhões. Do total de recursos investidos pelo BNDES e pelas empresas (R$ 167,7 bilhões), R$ 104,4 bilhões foram aplicados em projetos destinados a investimentos fixos adquiridos no país.
Os financiamentos aprovados pelo banco para projetos que resultaram em aumento da capacidade produtiva ou construção de novas fábricas atingiu R$ 62,2 bilhões. A contrapartida dos empresários com essa finalidade foi de R$ 42,2 bilhões. Eles também geraram ou mantiveram1,7 milhão de empregos.
Nos últimos seis anos (de 2003 a 2008), a média de desembolsos do BNDES alcançou R$ 45,9 bilhões. O investimento total (BNDES mais empresas) somou, em média, R$ 89,13 bilhões nesse período.
Roberto Oliveira informou à Agência Brasil que os 2,8 milhões de empregos gerados ou mantidos consideram somente a parte dos recursos destinada a investimentos fixos, na fase de construção dos empreendimentos, que totalizaram os R$ 104,4 bilhões no ano passado.
Os empregos foram gerados, principalmente, em setores vendedores de bens de investimento, “ou seja, construção civil e máquinas e equipamentos”, ressaltou o técnico do BNDES. “Nós excluímos desse montante aquela parcela dos empréstimos destinada à reestruturação de empresas, à exportação ou importação de equipamentos. Isso se refere apenas a investimentos fixos comprados no país”, disse.
A sondagem revela também que para cada R$ 1 milhão de investimentos foram criados ou mantidos 27,4 empregos no Brasil, no ano passado. “A média vinha se mantendo em 23 a 24 empregos por R$ 1 milhão de investimentos e em 2008 cresceu para 27. É como se fosse a taxa de produtividade do investimento, em termos de emprego", afirmou.
Um segundo estudo feito pelo BNDES mostra que as empresas financiadas pelo banco geram mais empregos do que as não-apoiadas. E apresentam também maior índice de produtividade. "O que nós procuramos fazer foi verificar se as empresas financiadas pelo BNDES eram empresas empregadoras ou desempregadoras”.
O levantamento comparou um grupo de empresas financiadas pela instituição com outro de companhias não-apoiadas de perfil semelhante. E constatou que o grupo de empresas financiadas pelo banco empregava mais trabalhadores. "E não só isso. Aumentou também a produtividade. São empresas mais produtivas e mais empregadoras”, disse.
As empresas apoiadas pelo BNDES elevariam em cerca de 28% o quadro de empregados em relação às empresas não-financiadas, no terceiro ano após o financiamento, mostrando produtividade 36% superior às não-apoiadas, no mesmo período.

