Alexandre Rocha
São Paulo – O fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) no Oriente Médio bateu um recorde histórico em 2005, de acordo com o Relatório Mundial de Investimentos divulgado esta semana pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Segundo o estudo, os países da região receberam US$ 34 bilhões em IED no ano passado e foram a origem de US$ 16 bilhões aplicados em outras nações.
A Unctad informa que o volume de recursos recebidos na região aumentou em 85% na comparação com 2004 e foi o crescimento mais expressivo no universo dos países em desenvolvimento. Só para se ter uma idéia, o fluxo mundial de IED (US$ 916 bilhões) aumentou 29% no ano passado e os aportes realizados em países desenvolvidos (US$ 542 bilhões) cresceram 37%.
Das 14 nações pesquisadas no Oriente Médio, 12 tiveram desempenho positivo. Os Emirados Árabes Unidos foram o país que mais recebeu IED em 2005, US$ 12 bilhões no total, seguido da Turquia (US$ 9,7 bilhões), Arábia Saudita (US$ 4,6 bilhões), Líbano (US$ 2,6 bilhões) e Jordânia (US$ 1,5 bilhão). Os Emirados ficaram em 18º lugar no ranking global.
Segundo o relatório, o aumento do fluxo foi influenciado pelo forte crescimento econômico observado na região, a alta demanda internacional por petróleo e a melhoria do ambiente para investimentos nas nações do Oriente Médio, com a liberalização em certos países de segmentos como financeiro, imobiliário e de telecomunicações. "Estes setores conseqüentemente atraíram boa parte dos IED feitos na região em 2005", diz o estudo.
No caso dos países ricos em petróleo, eles não apenas receberam investimentos, mas fizeram aportes em outras nações da região e fora dela. O volume de recursos que teve origem na região dobrou de 2004 para 2005. De acordo com a Unctad, no ano passado ocorreu uma explosão de investimentos sul-sul, ou seja, realizados entre países em desenvolvimento. O total de recursos que teve origem nas nações emergentes chegou a US$ 117 bilhões.
O fluxo intra-regional no Oriente Médio chegou a US$ 14 bilhões no ano passado, ante apenas US$ 600 milhões em 2004, resultado de fusões e aquisições ocorridas em parte por conta dos processos de privatização levados adiante em países como Bahrein, Jordânia, Turquia e Emirados. Os investimentos em novos empreendimentos foram feitos principalmente na indústria ligada ao setor petrolífero. A região também foi origem de aportes realizados na Ásia, África e outras partes do mundo em desenvolvimento.
Os países do Oriente Médio que mais investiram no exterior em 2005 foram os Emirados (US$ 6,7 bilhões), Kuwait (US$ 4,7 bilhões), Arábia Saudita (US$ 1,2 bilhão), Bahrein (US$ 1,1 bilhão) e Turquia (US$ 1,1 bilhão). A Turquia não é um país árabe.
África
O fluxo de IED na África chegou a US$ 31 bilhões e também foi recorde em 2005, segundo a Unctad, mas ficou concentrado em alguns poucos países. O aumento de 78% em comparação com 2004 foi ocasionado principalmente por um forte crescimento na rentabilidade das empresas que operam no continente e pelo alto preço das commodities produzidas por lá.
A África do Sul foi o país da região que mais recebeu investimentos no ano passado, US$ 6,4 bilhões no total, seguido do Egito, Nigéria, Marrocos, Sudão, Guiné Equatorial, República Democrática do Congo, Argélia, Tunísia e Chade. Egito, Marrocos, Sudão, Argélia e Tunísia são países árabes. Os aportes realizados no continente foram concentrados em setores como petróleo, gás e mineração
De acordo com a Unctad, o fluxo de investimentos para a África deverá continuar a crescer em 2006 por causa do grande número de projetos já anunciados na região, da quantidade expressiva de investidores interessados nos recursos africanos e políticas geralmente favoráveis para o recebimento de IED no continente.
Brasil
Na América Latina e Caribe o fluxo de investimentos chegou a US$ 104 bilhões em 2005, um aumento de 3%. Na América do Sul foram investidos US$ 45 bilhões, 20% a mais do que em 2004. O Brasil recebeu US$ 15,1 bilhões, 17% a menos do que no anterior. Mesmo assim, o país ficou na segunda colocação na América Latina, atrás apenas do México (US$ 18,1 bilhões) e em 14° no ranking global dos destinos de investimentos diretos.
Parte da queda foi atribuída ao fato de quem em 2004 ocorreu um grande afluxo de capitais ao Brasil por conta da aliança formada entre duas gigantes do setor de bebidas, a brasileira Ambev e a belga Interbrew.
Como gerador de investimentos diretos, o Brasil ficou em terceiro lugar na região, com US$ 2,5 bilhões, atrás do México (US$ 6,2 bilhões) e a Colômbia (US$ 4,6 bilhões). O Brasil tem três empresas entre as 10 maiores companhias não financeiras da América Latina e Caribe: Petrobras (3ª), Vale do Rio Doce (6ª) e Gerdau (7ª), sendo que a Vale e a Gerdau são companhias privadas. A Petrobras e a Vale estão também no ranking das 25 maiores do mundo em desenvolvimento, respectivamente na 12ª e na 25ª posições.

