Alexandre Rocha
São Paulo – O fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) para o Oeste da Ásia, que engloba os países árabes do Oriente Médio, chegaram ao recorde de US$ 43,3 bilhões em 2006, 25,5% a mais do que em 2005. No caso da África, a entrada de investimentos chegou a US$ 38,8 bilhões, valor também recorde e 26,5% superior ao do ano passado. Para a América Latina e Caribe o total ficou em US$ 99 bilhões, uma redução de 4,5%. No Brasil, porém, os investimentos aumentaram em 6% e chegaram a US$ 16 bilhões.
Estas são as primeiras estimativas sobre a movimentação global de IED em 2006 divulgadas ontem (09) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad). Segundo a entidade, o fluxo mundial de investimentos chegou a US$ 1,2 trilhão no ano passado, um aumento de 34% em comparação com 2005. Foi o terceiro ano consecutivo em que ocorreu crescimento.
De acordo com a Unctad, o desempenho reflete a boa performance econômica e o alto índice de crescimento registrado em diversas partes do mundo. Segundo a entidade, alguns fatores que contribuíram para a ampliação do fluxo foram o aumento dos lucros de diversas companhias, o que resultou em ações mais valorizadas e num aumento dos valores das fusões e aquisições internacionais, além da liberalização das políticas de investimentos e dos regimes de comércio em diversos países.
O crescimento ocorreu, de acordo com a Unctad, tantos nos países desenvolvidos, como nas nações em desenvolvimento. No último caso, o aumento do fluxo de IED foi de 10% e chegou a US$ 367,7 bilhões.
Golfo
No Oriente Médio, de acordo com a Unctad, a Turquia, que não é um país árabe, e os países do Golfo Arábico, ricos em petróleo, foram os que mais atraíram investimentos. "Mesmo que o preço do petróleo venha a baixar mais, ele nunca voltará aos níveis mais baratos de alguns anos atrás. Então esta região tem um excesso de liquidez por conta das receitas do petróleo, o que desperta muito interesse por parte dos investidores, não só no setor petrolífero, mas em outros também", disse à ANBA a analista de assuntos econômicos da Unctad, Nicole Moussa.
Ou seja, mais do que explorar a indústria petrolífera, os investidores externos querem uma fatia do mercado interno destes países. "Na região do Golfo é o setor de serviços que mais atrai investimentos. Lógico que isto está relacionado ao boom do petróleo", afirmou Nicole.
Não é só a entrada de IED que aumenta na região. Segundo a Unctad, países do Golfo, especialmente os Emirados Árabes Unidos, têm crescido como origem de investimentos em outras nações. Isto, de acordo com a entidade, ocorre principalmente por meio fusões e aquisições feitas por empresas estatais da região. Os fluxos são direcionados para atividades relacionadas ao setor energético, principalmente na China, Índia e outros países da Ásia e da África.
África
Na África, o Egito e o Marrocos estão entre os principais receptores, com fluxos de US$ 5,3 bilhões e US$ 2,3 bilhões respectivamente. As estimativas mostram, no entanto, que houve redução da entrada de IED nestes dois países em 2006, de 1,9% no caso do Egito e de 20,9% no caso do Marrocos.
O aumento para a África em geral foi ocasionado pelos altos preços e grande demanda internacional por commodities, especialmente por petróleo. Isto pode ser visto claramente no caso da Nigéria, que recebeu US$ 5,4 bilhões em IED, um aumento de 60% em comparação com 2005. O país é um grande produtor de petróleo.
Segundo a Unctad, os recursos naturais e as indústrias relacionadas tiveram um papel fundamental no avanço dos investimentos nos últimos dois ou três anos. A alta demanda por produtos primários, além de abrir novas oportunidades, como a exploração de gás e petróleo na Argélia, deverá continuar a atrair investimentos no futuro.
Brasil
Na América Latina e no Caribe, o fluxo de investimentos, segundo a Unctad, continua a ser liderado pelo México e pelo Brasil. Enquanto as estimativas apontam para uma estabilidade de US$ 18,9 bilhões entre um ano e outro no México, no Brasil elas revelam um aumento de 6% no fluxo de IED, que chegou a US$ 16 bilhões em 2006, ainda menor do que os US$ 18,1 bilhões de 2004 e dos resultados da época das privatizações, quando grandes companhias estatais foram compradas por empresas estrangeiras.
Para Nicole, o aumento dos investimentos no Brasil de um ano para o outro, ao mesmo tempo em que diminuíram as fusões e aquisições no país – empresas brasileiras agora estão comprando companhias no exterior -, mostra que estão ocorrendo novos investimentos por empresas que já operam no país. "Pessoalmente eu suspeito que grande parte dos investimentos no Brasil vem de companhias que estão reinvestindo seus lucros no país", afirmou a analista.
As estimativas mostram que, na região, o Chile é o país que mais cresceu como destino de IED. O fluxo chegou a US$ 9,9 bilhões em 2006, 48% a mais do que no ano anterior. Segundo a Unctad, isto ocorreu por causa do reinvestimento de lucros do setor minerador.
Países ricos
Quem liderou a lista dos principais recebedores de IED, no entanto, foram os Estados Unidos com US$ 177,3 bilhões, um aumento de 78%. O país tomou o lugar que em 2005 foi do Reino Unido. O fluxo de investimentos para os países desenvolvidos em geral cresceu 47,7% e chegou a 800,7 bilhões em 2006.
Em termos de categorias de economias, o fluxo cresceu mais para as economias em transição, representadas pelos países do Sudoeste da Europa e da Comunidade de Estados Independentes (ex-URSS). Os investimentos nestas nações chegaram a US$ 62 bilhões, um aumento de 56%, segundo a Unctad.

